28/11/2013

Fraldas de PANO??!


Como assim “fraldas de pano”, Laura?!!

Pois então. Desde que me vi absorta pela blogosfera materna, dois assuntos me chamaram a atenção de cara: essa história de parto natural e essa de fraldas de pano modernas. Daí que de link em link eu fui fortalecendo minha decisão pela escolha do tipo de parto que gostaria para meus futuros filhos e também pelas tais fraldas de pano. Confesso que bem no início eu achava tudo isso coisa de riponga bicho-grilo alternativa haha! Ou a coisa não é bem assim, ou vai ver que eu sou riponga e não sabia. Seja como for, curti a ideia de usá-las na nossa bebê e, compartilhando com o Felipe  links tais como esse decidimos que iríamos tentar usá-las, mesmo nunca tendo visto uma ao vivo, nem conhecido ninguém que as utilizasse. “Se tu não te importar de lavar, Laura, por mim tudo bem”, disse-me ele. Tá bom. Não me importo (e hoje ele me ajuda também com as fraldas, querido!). Alguns meses antes de a Rebeca nascer, a gente investiu num kit com 12 fraldas de uma marca famosa aí da internet. Esse número não seria suficiente, pelo que havíamos nos informado, então adquirimos mais algumas de outras duas vendedoras pelo facebook. Quando a Rebeca nasceu, tínhamos um total de 24 fraldinhas. A Rebeca hoje está com quase 4 meses, e nós seguimos usando as mesmas fraldas desde o dia que ela nasceu! Ôh glória!!

Tá, Laura, mas como é que tu faz?!
Lava na mão?!
Põe na máquina de lavar?!
Não vaza?!
E quando tu sai?!
Como faz?!


Pra tentar ser sucinta (haha!) no relato sobre minha experiência de 3 meses usando fraldas de pano na Rebeca, segue abaixo o esquema da nossa rotina:

1. Bebê tá com a fralda suja: cagada ou mijada, não importa, vamos trocá-la!


2. Na primeira gaveta da cômoda, abaixo do trocador, deixo as fraldinhas à mão.


3. Depois de limpar a bundirica dela com algodão embebido em chá de camomila (em casa, porque quando saímos uso lenço umedecido mesmo), é só colocar a fralda, e fechá-la com os botões de pressão nos ajustes certos.


4. A fralda suja fica num cantinho da cômoda, junto com mais alguma roupinha que tenha porventura sujado ou molhado.

 

5. Dali, ela vai para o tanque, à espera de ser enxaguada para o próximo passo da lavação.


(Depois de dar mama, de a bebê ter arrotado, e ao ficar tranquilinha no seu carrinho é que eu vou dar conta da(s) fralda(s) que deixei me esperando ali no tanque...essa espera pode durar uns 20 minutos ou algumas horas, mas nunca passa de um dia hehe!)


6. No tanque, eu 1º tiro o absorvente do bolso da fralda, e enxáguo ele com água – pra não ficar fedendo muito, até porque ele geralmente fica bem empapado de xixi... Depois de enxaguado, jogo no balde, onde ele ficará junto com as outras roupinhas e fraldas a serem lavadas na máquina.


7.  Depois, eu tiro o excesso de cocô no tanque mesmo com uma escovinha (por enquanto a coisa toda é bem molenga, daí só com a escovinha e água eu consigo eliminar os resíduos no tanque mesmo. Quando a coisa engrossar e endurecer hehe, a orientação é jogar o cocô da fralda no vaso sanitário. Ainda não chegamos a esse nível haha!).


 8.      A fralda depois de enxaguada fica assim óh:


9. Vai tudo pro balde (que tem que ter uma tampa, por causa dos odores e pra evitar que insetos se procriem indevidamente) e uma vez ao dia eu lavo na máquina as coisinhas dela, incluindo as fraldas.


10. A gente põe só um pouquinho de sabão de côco pra dar um cheirinho e a impressão de limpeza mesmo haha (mas não precisaria, apenas o ciclo completo de lavagem da máquina, só com água, já limpa as fraldas. Já lavei sem sabão e ficou tudo limpinho mesmo. Além disso, o sabão não deixa de ser um impermeabilizante, e as fraldas não podem adquirir essa característica. Elas são e tem que continuar sendo permeáveis!).


11. Ciclo completo, é só estender, de preferência ao sol – que é um excelente alvejante natural (aprendi com minha tia Bipa) – e esperar secar bem! Fralda úmida é prato cheio para fungos! Graças a Deus não sabemos o que é isso. O clima aqui é bem seco, e mesmo que chova por dias seguidos, as fraldas secam de boa! (Parêntesis: quando fui à Porto Alegre, ainda era inverno e choveu bastante... como o clima lá é mais úmido, minha sogra querida, que se encarregou das fraldinhas e roupinhas, apelou para a máquina de secar, senão não teríamos fraldas disponíveis para uso. Deu certo, os absorventes podem ir na secadora, sem problemas, mas optamos por não colocar as capas por orientação dos fabricantes – fecha parêntesis).


12. Às vezes os absorventes ficam levemente manchados após a lavagem. Não tem problema, deixa pegar um sol que vai ficar tudo branquinho!


13. Depois é só recolher, montar as fraldas e guardar na gaveta da cômoda de novo. É um ciclo sem fim, haha!


Gente, esse é o jeito que nós fazemos aqui em casa. Pra nós funciona. Talvez na sua casa não tenha máquina de lavar. Ou talvez você não queira usar SÓ fraldas de pano. Talvez você não tenha tempo de lavar assim, tão frequente... pra tudo dá-se um jeito. Uma solução pra não ter que lavar fraldas todos os dias, como eu faço, é ter mais unidades. O fabricante diz que dá pra deixar acumular no balde (fechado, hein, não vai esquecer de tampar!!) por 3 dias J, óh que beleza!

Outra coisa são os benefícios. Não posso dizer que a Rebeca nunca ficou assada porque senão estaria mentindo. Na verdade ela teve uma só assadura até hoje (e foi feia, que dó!), em 3 meses de existência. Talvez foi porque deixamos ela muito tempo com uma mesma fralda mijada, não sei... também não posso dizer que não vaza de vez enquando. Tudo é questão de ajuste, prática e tempo. No início custa um pouquinho pra se adaptar, mas depois é só alegria. O bom da fralda de pano é que por ser de tecido, favorece a “respiração” da pele, e dispensa o uso de pomadas para prevenir assadura. É mais ecológico e bem mais econômico também!

Inicialmente o investimento pode ser um pouco alto, mas, a longo prazo compensa. E se vocês tiverem amigos legais e queridos e que amam vocês, e, que mesmo longe, resolverem fazer um “chá de fraldas à distância”, e mandarem uma grana pra contribuir para a aquisição das fraldas, vocês já terão meio caminho andando hehe!


Ahh, e quando saímos de casa, levamos junto um saquinho impermeável com zíper que veio junto com o kit pra guardar as fraldas sujas. Uma vez, uma amiguinha da igreja, quando viu meu marido assoar o nariz num lenço e guardar o lenço no bolso, disse pra mãe: “Mãaaaeee, o tio Tilipe guarda meleca no bolso, éca!”. É de família, querida, porque a tia Laula guarda o cocô da Rebeca! Hahaha!


Eaí, se animaram a testar essas fraldinhas nos (futuros) bebês de vocês?!


Dúvidas ou mais informações é só escrever aqui abaixo nos comentários.
Bjos, Laura.


19/11/2013

Relato do PARTO DOMICILIAR da Rebeca Kümmel Frydrych


Esse relato de parto tem o intuito de 1º) compartilhar minha experiência de parir em casa, em pleno século XXI, quando a gente tem um monte de recursos, equipamentos, modernidades e intervenções médicas e medicamentosas à nossa disposição na hora de ter um filho (sim, apesar de estar morando no interior de SP (Taubaté), temos um plano de saúde legalzinho que cobriria 90% das despesas médicas hospitalares, num bom de um hospital referência aqui da região, ou seja, não foi por falta de “recursos”: nós ESCOLHEMOS, OPTAMOS e DECIDIMOS ter nossa filha em casa!); 2º) aguçar a curiosidade e o desejo nos leitores a se informarem ainda mais sobre as possibilidades (e direitos) que a gente tem quando decide ter um filho e a maneira que ele nascerá; 3º) tributar a Deus, o autor da vida, da nossa fé, toda a glória do momento que vivemos na chegada da nossa filha (o parto foi lindo, maravilhoso, vocês verão, mas se não fosse a paz de Jesus Cristo, que excede todo o entendimento, aquele momento teria sido diferente!) Aliás, a Ele toda a glória hoje e para sempre por todo o bem que tem feito a mim e à minha família, por ser a Rocha angular na qual temos edificado a nossa casa!

 [Minha família! - no dia em que a Rebeca completou 1 mês de vida!]

Eu poderia começar esse relato de diversas maneiras (incluindo detalhes sobre o pré-natal super tranquilo, com apenas 3 ultrassons – um em cada trimestre -, com a troca de ginecologista no primeiro trimestre ainda pois o Sr. Dr. na primeiríssima consulta, com o BHCG a ser confirmado, diante da exposição do meu desejo por um parto normal (PN), declarou que “esse ano não farei PN...tenho dois filhos pequenos, não posso dispor de ter que te atender na madrugada, o plano não cobre (cuma??!)”, com o fato de eu ter trabalhado 40h/semana até a 36ª semana de gestação (e isso porque a escola entrou em férias, senão teria dado aula até a 40ª!!!), ou começar contando que pulei corda com a criançada da igreja na 35ª semana, ou que peguei a minha mãe no colo na 39ª hoho (tudo isso que eu não relatarei é pra mostrar que eu não era uma gestante de risco e que o pré-natal não teve surpresas, ou seja, fisiologicamente estávamos aptas para o parto domiciliar). Enfim, decidi relatar esse parto de maneira “convencional”, semelhante a tantos outros relatos que li na internet antes e durante a gestação (e que continuo lendo porque o assunto vicia, hehe!).

Quarta-feira à noite, dia 07 de agosto de 2013, com 40 semanas e 3 dias de gestação fui ao culto na igreja, e, após a reunião, voltamos pra casa, fiquei mais de meia hora no telefone com minha prima que mora no sul do RS, e após a ligação fui jantar com meu marido, o Felipe, e a minha mãe – que veio de Porto Alegre (nós somos todos gaúchos!!) quando eu estava de 39 semanas, para me ajudar nos últimos dias de grávida, assistir o parto e me auxiliar nos primeiros dias com a Rebeca. Eu já vinha sentindo algumas contrações, as chamadas contrações de treinamento, há algumas semanas, e percebia que elas apareciam mais depois que a gente caminhava (eu e a mãe saímos quase todos os dias nas últimas 2 semanas de gestação pra caminhar, foi ótimo sair ao ar livre, o clima aqui na cidade é bem agradável, mesmo no inverno, e caminhar me fazia ficar mais animada). Todo o final de dia era a mesma pergunta: será que ela nasce hoje?! Naquela quarta, depois do culto, não foi diferente (foi sim, hehe!), havíamos caminhado bastante de tarde e depois de jantar, fiquei conversando com a mãe e o Fe, e me agachando apoiada na mesa da cozinha: assim, “do nada” me deu essa vontade... daí já era quase meia noite e eu fui dormir.

Quinta-feira, 8 de agosto. Lá pela 1h da madrugada me acordei com uma “dor de barriga”, tipo cólica, e fui no banheiro. Quando vi que tinha um sanguinho na minha calcinha chamei/acordei o Fe, e disse: “Olha aqui... acho que tá começando!”. Fiquei meio boba, tipo, imaginando se tava começando finalmente o trabalho de parto (TP) que eu tanto tinha esperado, pensando se era meeesmo TP ou se a coisa iria demorar mais alguns dias pra engrenar, como eu tinha lido em alguns relatos (a haha!), que quando me liguei, já estava há uns 10 minutos no vaso “fazendo xixi”. “Fe, eu não paro de mijar...acho que isso é a bolsa que rompeu”. Daí o Fe, que já tinha acordado a minha mãe, disse pra eu ligar pra avisar a enfermeira-obstetra (EO) Patrícia, que iria nos acompanhar, e que teria que fazer uma curta viagem para chegar até a nossa casa (ela mora na cidade vizinha a Taubatexas, São José dos Campos). Ela me orientou a monitorar a frequência das contrações, que estavam um pouco irregulares àquela altura (de 10 em 10, 12 em 12 minutos), e me sugeriu que eu deitasse para tentar descansar um pouco mais, se eu conseguisse. Deitamos e eu estava faceira da vida, pedindo que tirassem fotos da minha pessoa ainda grávida, kkk!
Acho que dormi um pouco, bem pouco porque daí o tempo passou rapidinho. O Felipe dormiu direto até umas 4h, mas eu me lembro de ficar meio que me acordando, ainda com “cólicas” (me refiro às contrações como cólicas porque estava tudo suportável ao meu limiar de dor...), me revirando na cama. Lá pelas 4h e pouco eu acordei o Fe porque tava gemendo e um pouco mais incomodada. Daí ele marcou o tempo das contrações e estavam de 7 em 7 min, mais ou menos. Esse era o combinado para ligarmos novamente para a Patrícia, que disse para eu entrar no chuveiro quentinho, pra das duas, uma: 1) ou as contrações amenizavam e eu relaxaria, o que indicaria que ainda não era trabalho de parto (TP) ativo ou 2) as contrações iriam aumentar, no sentido de se tornarem mais frequentes, menos espaçadas, o que indicaria TP de verdade, e era o que estávamos esperando que fosse.
E foi! Fiquei 1 hora no chuveiro, ora sentava num banquinho que colocamos dentro do box, ora me agachava, e quando vinha uma contração eu ficava igual ao personagem Kiko da turma do Chaves quando ele chorava...visualizaram a cena?!

Foi ótimo ficar ali no chuveiro, porque além de aumentarem as contrações, e de eu ficar com as mãos enrugadas igual de uma velhinha por causa da água, relaxei mais do que se tivesse ficado deitada na cama. Perto das 5h da manhã a obstetriz Natália, que faria dupla com a Patrícia no nosso parto, chegou com o cardiotoco em mãos e enquanto eu estava no chuveiro mesmo já mediu os batimentos do coração da bebeia, que estavam bem certinhos. Fiquei mais um pouco no chuveiro, enquanto o Fe, a mãe e a Natália tomavam café na cozinha.
Logo depois a Patrícia chegou bem animada, carinhosa e, daí falei pra ela que estava me sentindo bem, mas um pouco cansada de ficar no chuveiro. Saí do banho e fui me deitar um pouco. Eu tava com fome e pedi um suco e pão torrado com manteiga, que a minha mãe trouxe em seguida (ahhh, o aconchego e as comidinhas do lar...hehe!). Dei só um golinho no suco de limão e uma micra mordidinha numa das fatias de pão...eu tava com vontade de comer, mas não apeteceu, tipo, senti que não ia descer...fato é que se passaram mais algumas horas, acho que dormi, sempre com as contrações vez por outra, mas é bem como dizem: entre as contrações a gente relaxa a ponto de dormir. A Patrícia então sugeriu que eu fosse caminhar, dar uma volta, pegar um ar! No meu relógio biológico ainda estávamos na madrugada, mas já era quase 7h da manhã. Minha mãe e o Fe também vieram fazer coro à sugestão da Patrícia, e eu pensei com meus botões: “Se tá todo mundo me animando a caminhar é porque a coisa ainda vai demorar, huumm...simbora bater perna então!”. Troquei o pijama, o Fe me ajudou a colocar os tênis e lá fomos nós, dar uma volta na quadra, e pela última vez, só nós dois!
Não estávamos nem aí pra quem quer que nos visse na rua àquela hora, porque, apesar de não ter quase ninguém transitando, a cena de, em pleno início de manhã de uma quinta-feira, um casal jovem, caminhando a passos de tartaruga, sem destino, e que de tempos em tempos parava de andar para a jovem se pendurar no pescoço do rapaz e se agachar (contrações, gente!), era no mínimo curiosa. A gente caminhou por meia hora.
Eu até que queria caminhar mais um pouco – eu pensava que só meia hora era pouco pra acelerar o TP, que a Patrícia fosse me xingar (hauhaua, até parece!!!) e me mandar (!!) caminhar mais – mas estava cansada e resolvemos voltar pra casa. Casa, não! Moramos em um apartamento, no terceiro andar e nosso prédio, por ter só quatro, não possui elevador. Daí você imagina uma mulher parindo e subindo as escadas, lentamente, se arrastando, gemendo, acordando os vizinhos, gritando...SÓ QUE NÃOOO (sqn)! Hahaha, subi de boa as escadas, e cheguei animadinha em casa.
As EO já tinham enchido a bola de pilates e colocaram na sala pra eu sentar e dar umas reboladas. Eu crente que seria ótimo relaxar na bola, mas aqui cabe um sqn de verdade: sentei, dei meia rebolada e aiii contração; rebolei de novo e aiiiii contração de novo e me agachei, amparada pelo móvel da TV... a bola não era boa naquela hora. Eu tava cansada e daí falei pra galera: “eu acho que vou me deitar, não to me sentindo muito bem”. A Patrícia estava com o cardiotoco a todo momento, estava tudo certo com a bebê, mas as contrações estavam “fracas”, de curta duração, em torno de 30 segundos, apesar de frequentes. Isso me fazia querer ficar ativa, me mexendo, mas meu corpo tava pedindo pra deitar e eu fui, pensando “essa guria vai nascer só de tardezinha...!”. No meio do caminho eu fiquei de cócoras, apoiada na escrivaninha ao lado da minha cama, sentindo mais contrações.
Eu deitei e lá se foi mais um tempo. A Natália ficou um pouco comigo no quarto, fazendo massagem na minha lombar, o que aliviava bastante as dores, mas eu não tava bem. Estava agoniada, achando que ia morrer, e, Laura Amaral Kümmel Frydrych, essa que vos relata, em termos de saúde, quando fica agoniada, sem saber descrever o que sente e achando que vai morrer, é certo que vai...PARIR???!!! Nãoooo: VOMITAR, hauhaua! Dito e feito. Digo pra Natália que estou enjoada. Natália me olha (eu devia estar branca feito papel). Natália corre pegar a lixeira do banheiro. Natália aproxima o recipiente. Laura vomita. Vomita os cinco pedacinhos de manga que havia comido lá às uma e pouco da manhã, e a uma mordida de pão e o gole de suco de depois do banho. Ahhhlívio!!! Eu me senti uma nova pessoa depois de vomitar. As contrações durante todo o episódio do vômito continuaram, mas agora eu tava completamente “vazia”, não fosse o bebê ainda dentro de mim que estava na iminência de sair também.
Eu continuei deitada, o Fe, as enfermeiras e a mãe ficaram no quarto comigo, respeitaram meu pedido prévio de silêncio durante o TP, se revezaram para massagear as minhas costas, e me deram muito carinho. Já devia ter passado das 8h, e daí o bicho pegou. O quarto tava com as janelas fechadas, escurinho, e eu me agachava na borda da cama a cada contração e assim permanecia. Sei lá por quantas contrações fiquei assim.


Só que de repente me deu “uma louca”, e eu, do “nada” me atirei pra cima da cama durante uma contração forte e me permiti gritar (com “gritar”, entenda “gemer alto, emitindo a letra “Ô” e outros sons bizarros” que eu nunca tinha ouvido a minha pessoa pronunciar, kkk! Não é grito do tipo que se dá quando se vê uma barata, se leva um susto ou se está na descida de uma montanha russa, não...! – essa coisa do grito era algo que me deixava meio encabulada porque, morando em ap, eu pensava nos vizinhos...que àquela hora da manhã já estavam em seus respectivos locais de trabalho, com exceção do vizinho do ap de baixo que trabalha à noite e estava em casa de manhã, que algumas semanas depois, surpreso em me ver com a Rebeca no colo, achou curioso não ter ouvido nada tendo o parto sido feito ali, no andar de cima! Ok, mas eu tmb não estava nem aí se alguém batesse na porta, afinal não seria eu quem teria que (não) dar explicações, hehehe!).

“Você parecia uma leoa”, disse-me a Patricia depois que tudo acabou, se referindo à minha atitude diante da contração que me fez me jogar com tudo, de barriga, em cima da cama e os sons que se seguiram. Eu me agarrava no lençol da cama, nos travesseiros, no colchão. O Felipe se aproximou e não sabendo o que fazer, me fazia uns carinhos, que não combinavam com o que eu tava sentindo, haha! Peguei o braço dele com força, queria uma barra de ferro pra me firmar e puxar com força nas contrações, mas aos meus movimentos o braço do Fe vinha junto, e daí o primeiro de dois comentários que fiz a ele durante o TP ativo foi: “Feee, fica com esse braço duro!!!”. Eu me retorcia nas contrações, gemia bastante (gente, é bom gemer durante as contrações, viu?! É terapêutico e parece ser uma necessidade do corpo nesse contexto também!). A coisa tava engrossando, haha! A essa altura, e diante das minhas reações felinas, a Patrícia pediu permissão pra fazer o primeiro (e único) exame de toque de toda a gestação e parto! Obviamente permiti, pensando: “devo estar com uns 3, 4 cm de dilatação... a Rebeca vai nascer só de tarde! Se eu tiver com mais de 1 cm já vou ficar feliz!”. No exame externo, em que ela apalpava minha barriga, ela não localizou precisamente a cabecinha da bebê encaixada, e falou que às vezes, durante o TP o bebê pode subir um pouquinho... Passou mais uma contração e ela fez o toque. A reação dela ao me examinar foi a anestesia mais eficaz e deliciosa que eu jamais poderia levar. Depois de alguns segundos de silêncio ela exclamou: “Menina! Já to sentindo a cabecinha!!! Já tá tudo dilatado!!!”. Repetiu o toque só pra confirmar, para em seguida, com a Natália, preparar e deixar à mão os materiais que fossem ser necessários. Eu não acreditava. “Dilatação total, mas já?! Como assim??!!”, e as contrações violentas não me permitiram sorrir diante da agradabilíssima boa nova.

O quarto que já estava com as janelas fechadas, teve as portas fechadas também, o aquecedor ligado, a filmadora instalada, a máquina fotográfica a postos, e a presença silenciosa de todos ali. Eu ainda estava deitada de lado na cama, agarrada aos travesseiros. O Fe bem perto de mim. Teve um momento em que eu me abanei, estava com calor, tava toda suada, e o Fe começou a assoprar na minha cara pra fazer ventinho. Daí foi o segundo comentário crítico à pessoa do senhor meu marido: “Sai pra lá com esse bafo de Trident!!!” e todo mundo caiu na risada, porque até a marca do chiclete que ele tava mascando eu soube definir, hahaha! Ahhh, achavam que eu tava fora de mim, né, só por causa dos meus rugidos e caretas, kkkk, ledo engano! Minha mãe, em determinado momento comentou: - “Laura, nem parece que são duas da tarde, né?!” ao que eu respondi: “Nem é duas ainda...”. - “Que horas tu acha que são?”. – “Meio dia.”. – “Que nada, Laura, não é nem 9 horas ainda!! Tua filhinha vai nascer de manhã, filha!!!”. Eu ainda não acreditava que já estava tão avançado assim meu TP.


Daí que mais alguns minutos se passaram, e dado o avançado do TP, a Patrícia, pela segunda vez me perguntou se eu não queria ficar de cócoras, ou mudar de posição. Eu estava deitada de lado, e no intervalo entre as contrações era ótimo quase conseguir dormir. Eu estava sem “moral” pra mudar de posição, preguiça mesmo, hehe! E daí que quando eu disse que não ia conseguir mudar o jeito em que estava posicionada, elas todas me disseram que me ajudavam. Lembro de ouvir a Patrícia perguntando pro Felipe se eu tinha comentado sobre a posição que desejava parir, e ouvi ele respondendo que eu tinha dito “de cócoras, de frente pro espelho pra ver tudinho!”, e foi por isso que ela insistiu em me sugerir para adotar essa posição. Enfim, depois de mais algumas contrações, elas me ajudaram a “levantar” da cama: acabei me sentindo confortável em cima da cama mesmo, em quatro apoios (nomenclatura chique para “de quatro”, igual cachorrinho kkk!), de costas para o espelho, de frente para o Felipe, e assim fiquei até o fim e seguiram as contrações mas agora eu conseguia sentir tudo muito melhor. (#escolhaumaposiçãoverticalizadaparaparirémelhorpravocêemaisfácilprobb).


 Aí a presença do Felipe foi fundamental. A presença e a força. Porque sempre que vinha uma contração, eu, apoiada com os dois braços nele, me jogava com toda a força sobre ele, e o apertava muito, e ele fazia a contra-força pra me sustentar. Eu falo que “eu” fiz força, gente, mas na verdade tudo era natural do meu corpo naquele momento. Eu não sabia que tinha tanta força assim...! Ficamos aproximadamente uma hora desse jeito, e aí a cada contração eu sentia a cabecinha da Rebeca mais perto de coroar. Não preciso dizer que não tomei nenhuma anestesia, né?! Cara, é ótimo sentir tudo o que está acontecendo contigo na hora do parto. E nesse momento foi que a Patrícia disse, com a voz doce ao pé do meu ouvido, o que eu tinha que fazer: “Respira, Laura, respira... não faz força, deixa que a contração traga a Rebeca...”. E eu respirava, inspirava e expirava, o Felipe respirava junto, e todo mundo, em silêncio, esperava. Eu senti a cabecinha dela descer e subir dentro de mim umas várias vezes, não lembro exatamente quantas (obs.: esse movimento vai-vém é necessário pois massageia a musculatura do períneo, relaxando-o e preparando-o para o momento do expulsivo). Na filmagem do parto aparece quando o “côco” e os cabelinhos dela surgiram pela primeira vez e minha mãe fotografou. Nesse momento a Patrícia perguntou se eu não queria pôr a mão pra senti-la, mas a ideia de perder um dos quatro apoios, naquele momento não me pareceu uma boa. Eu estava concentrada demais nas contrações, não quis me “desconcentrar” tocando a cabecinha dela. O Felipe, de frente pra mim e pro espelho, via tudo o que estava acontecendo no expulsivo.
Algumas contrações depois, sentindo a Rebeca descer e subir (quando ela subia, dava um alívio, claro, porque diminuía a pressão no canal vaginal, mas quando ela descia de novo, aliviava também porque eu sentia que ela tinha descido um pouquinho mais e estava mais perto de nascer), senti que ela desceu e não subiu de novo!! Tinha coroado de vez (tchê, minha mãe tirou uma foto dela bem nesse momento de glória, e eu não vou colocar aqui porque senão as grávida desistem de parir kkk, quem quiser ver esse registro inenarrável da elasticidade do corpo feminino ao dar a luz, hahaha, me peça por email!). Vendo pode ser chocante, mas eu na hora não vi nenhum nadinha de nada, e só sentia a minha filhota cada vez mais perto de nascer! Daí que quando, numa forte contração, eu pensando comigo mesma “não faz força, não faz força, não faz força, não faz força, nãoooo...putz, já eras, rasgou tudo!!!”, achando que tinha feito força demais, a cabecinha dela toda saiu!!


[pensa que é fácil?!]

Eu não senti o tal de “círculo de fogo” que algumas mulheres descrevem que sentem na hora do expulsivo, e só o que ouvi naquela hora, foi alguém comentando: “a mãozinha...!”. Na hora eu não entendi, nem fiz questão de entender, achei que tinha nascido a cabeça dela e um braço junto na mesma hora, mas depois, quando vi essa foto que a mãe tirou eu entendi o que significava “a mãozinha”!

Oiiin, coisa queridaaa!!! Nasceuuu!

Nasceu, nada, gente!!! Ainda falta o resto! Se você acha que nessa hora alguém segurou a cabeça dela, futucou pra ver se tinha a temível e famigerada circular de cordãoãoão no pescocinho dela, que alguém enfiou os dedos dentro de mim pra puxar o resto pra fora, ou se geral gritou “faz força, Laura, faz fooooorçaaaa agora, vai, vai vai, isso, isso, isso, fooorçaaa!”, trate de ler e se informar um pouco mais sobre parto humanizado, hehe! Nada, gente, ninguém - nem a Patrícia, nem a Natália, nem o Felipe, nem minha mãe - fez nada (além de sorrir, cochichar, marejar ozóinho, e fotografar!). Tanto que senti que a coisa tinha aliviado, mas não tinha noção real de que a minha filha já tinha andado metade do caminho e que agora não tinha mais volta!

As contrações continuaram fortes, e precisou de mais umas duas ou três pra eu finalmente ouvir o “ploft” do corpinho dela escorregando pra fora, o “nasceuuu!”, os choros, as exclamações de alegria e regozijo da assistência, e sentir uns líquidos e “gosmas” (sangue, minha gente, grosso, vivo, lindo!) escorrendo pela perna ao mesmo tempo em que uma sensação de dever cumprido, misturada com a minha incredulidade de que o parto já tinha acabado se apossava de mim!

Assim que o corpinho da Rebeca nasceu, a Patrícia amparou ele e já a alcançou pro Felipe (emocionadíssimo!) por de baixo das minhas pernas, enquanto a Natália me ajudava a deitar e a mãe dizia “aiii Laura, a tua filhinha, Laura, olha, que amooor!!!”. #aquelemomentoemquetodomundoexalaocitocinaequeparecequeomundoparadegirar! Segurei ela, eu tava meio desengonçada, tremia, pseudo-chorava, gemia, e mesmo com ela nos braços não acreditava que JÁ TINHA ACABADO o parto e tudo o que eu tanto tinha esperado e imaginado! Só consegui dizer “Jesus!!!” e sentir muuuuita gratidão a Ele!

Em seguida o Felipe, com o auxílio das enfermeiras, cortou o cordão umbilical, que já tinha parado de pulsar, e assim pude aninhar melhor a Rebequinha no meu peito. A Patrícia colocou uma touquinha nela e umas fraldinhas aquecidas por cima, me cobriram com um lençol porque fiquei com frio, me ajeitei nos travesseiros e logo elas me ajudaram a posicioná-la para mamar. Ela deu umas sugadinhas, e assim ficou relaxadinha e descansando no meu peito, enquanto, ainda com contrações, eu paria a placenta.

Foi uma meia hora, mais ou menos até sair a placenta por completo. A Patrícia massageou minha barriga pra ajudar a sair mais rápido (isso doeu um pouco também, mas era necessário, e eu não queria que a placenta demorasse hoooras pra nascer, como eu tinha ouvido num relato – a moça precisou de 9h!). O Felipe olhava tudo, curioso, e ficou tão impressionado com a complexidade e riqueza de detalhes de uma placenta que até registrou a da Rebeca:

[placenta em 3 tempos]

Depois que nasceu a placenta foi só alegria! Já eras, c’est fini, done, the end! Agora é que começava a maternidade pra mim.

Ainda deitada com a Rebeca grudada nimim, tomei uma limonada de canudinho hehe e comi um pão com a ajuda da Natália. A mãe providenciou uma sacola pra por a placenta, e foi adiantar o nosso almoço. A Patrícia sugeriu que eu fosse tomar banho pra eu me sentir melhor e pra elas poderem arrumar o quarto, trocar a roupa de cama. O papai ficou com a nenê no colo, enquanto eu, felicíssima por poder fazer isso por minha própria conta, no meu banheiro, tomei um bom de um banho, quentinho, mas rápido, porque apesar de me sentir bem eu estava fraquinha e cansada. Ah, e dessa vez, sem as caras e poses do Kiko!
[eu feliz da vida depois do parto e do banho - papai Felipe com sua filhinha]

Quando voltei, o quarto já estava todo organizado, janela aberta, sol entrando, e aí medimos, pesamos e vestimos a pecorrucha: 3,2 kg e 50 cm, e o apgar dela foi 10/10! (só por curiosidade: não demos banho porque o vérnix, aquela cerinha, que reveste a pele dos bebês ao nascerem, é super nutritiva e protetora, e não fede haha, e apenas passamos um pano úmido quentinho na cabeça pra tirar as “craca” de sangue que ficaram grudadinha. Ela só foi tomar banho “de verdade” com 6 dias, depois que o umbigo secou).

Ela dormiu no colo da avó e nós todos, cansados e felizes, fomos almoçar as panquecas que a mãe tinha preparado. Esquecemos de registrar esse momento mas foi um dos que eu mais gostei do pós-parto: almoçar na minha casinha, com as pessoas mais queridas desse mundo, comidinha de mamãe, e de sobremesa o sorvete que eu tinha comprado pra comer no TP haha (gordinhafeelings!). Foi um luxo que acho que não teria tido se estivesse num hospital... De tarde dormi na minha cama, ao lado da bebezinha que também dormiu, e de noite recebemos as primeiras visitas: os dindos e os priminhos, com direito à pizza na janta!

E assim foi o parto e as primeiras horas de vida da nossa querida e muito amada filha Rebeca. Gostei demais da experiência de parir em casa. Recomendo!!! Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, e quando escuto alguém me elogiar dizendo: “Corajosa!”, fico pensando que se a pessoa soubesse o quão natural e normal é para o corpo feminino gestar e parir, como Deus planejou que fosse, veria que não há coragem nisso. Não precisei de coragem para parir. Quem precisa de coragem é quem vai para uma guerra, quem vai enfrentar um inimigo, um medo, um temor. E o parto, para mim, não era nada disso (pode ser que para você o seja, e sempre há tempo para, com informação e apoio, modificar essa perspectiva!). Era o caminho que eu tinha que passar para ter minha tão esperada filhinha nos braços. E pra isso precisei de informação, força, carinho e apoio. Acho que um elogio adequado seria: “Parabéns! Super informada você, hein?!”.

A todos que direta, ou indiretamente me supriram com esses atributos, registro aqui a minha gratidão, especialmente ao meu marido queridooo que fez e ajudou a parir a nossa filha, kkk! A primeira dos nossos 6 bacurizitos, né, amor?!
[Minha mãe, Lucia, a EO Patrícia, a Rebeca e a EO Natália]

Observação: Lembram aquele momento em que pensei que tinha “rasgado” tudo?! Foi só impressão mesmo. Resultado final depois de 9h de trabalho de parto: períneo íntegro!!!
[sinal para períneo íntegro]

Bjos, querid@s!!! Foi um prazer relatar o parto! E até breve...hehehe!
Se você quiser mais informações ou mais detalhes sobre a minha experiência do parto domiciliar, não se acanhe e escreva-me: laura.akummel@gmail.com. Será uma alegria informá-los!

Tempo de qualidade


A maternidade não é um passatempo, é um chamado.
Não é algo que você faça se te sobrar um tempinho...
É algo para o qual DEUS te deu tempo.