Minha
família chegou em Manaus em Dezembro de 2014. Virou o ano lá. Foi recebida por
gente mui querida e amiga. Naquela época, minha mana era uma bebê que usava
fraldas, mamava no peito, e teve o berço promovido à mini cama junto com toda
aquela grande mudança. Eu ainda nem existia aqui, mas Deus já tinha planos pra
mim.
Foram
alguns meses de adaptação, de conhecer os gostos, os cheiros, os temperos (de
aceitar, mesmo a contragosto, o gosto do coentro no lugar do da salsinha!), os
endereços, os roteiros, os horários e cenários. E que cenários: “incomparáveis”
define.
Viajamos de barco. Passeamos de barco: 1, 2, 3 vezes! Na primeira eu era apenas um
desejo, na segunda um embrião, recém promovido à feto, e na terceira, um
bebezão!
Visitamos
lugares únicos, e de cada visita, um monte de histórias poderia contar!
Nos
tornamos membros de uma igreja local, bíblica e muito abençoadora. Fizemos
amigos irmãos, servimos ao Senhor com alegria na força que Ele mesmo supriu.
Me
gestando, mamãe fez um concurso público para o magistério superior. Com enjoos
da gravidez fez as provas do processo seletivo. Não acreditando no melhor
resultado do processo todo, quase no fim do primeiro ano residindo em Manaus, e
ainda me gestando, tomou posse no novo cargo. Com o coração cheio de gratidão a
Deus e impressionada com a fidelidade dEle, e com Seus planos maravilhosos -
para além do que pedimos ou pensamos-, começou a trabalhar no emprego dos seus sonhos
(que no seu próprio coração estava guardado lá no cantinho das possibilidades
factíveis a longo, quiçá longuíssimo prazo, ou talvez nem mesmo realizáveis aos
seus próprios olhos, mas que lá estavam, sonho guardado em paz. Deus é bom!).
Eu nasci uma manauara bem alemoa, minha família aumentou, mamãe usufruiu da
bendita – mas que bem que poderia durar até os primeiros anos de vida de um
bebê, feito eu – licença maternidade, retornou ao trabalho, trabalhou por quase
dois meses, completou um ano de Universidade, e entrou de férias – das quais,
quando findadas, por causa de nova mudança, já estávamos vivendo em novas
terras, cheiros, gostos, sabores, sotaques, amigos, igreja, família.
O título deste post é uma paráfrase ao célebre
verso da Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, na qual, na última estrofe o eu-lírico declara
Não
permita Deus que eu morra,
Sem
que eu volte para lá;
Sem
que eu desfrute os primores
Que
não encontro por cá;
Sem
qu'inda aviste as palmeiras,
Onde
canta o Sabiá.
Eu ainda sou uma criancinha, mas que
nessas idas e vindas da minha família peregrinando por esse mundo, se Deus
quiser, tenha no Seu Caminho uma trilha novamente pela minha terra natal, ao pé
dos Angelins Pedra, onde sobrevoam as araras (e os helicópteros do BAvEx) - Manaus!

















