26/09/2023

Relato do Parto Domiciliar do Moisés: quem é você nessa história?

Se você nunca leu ou não conhece o relato bíblico sobre o parto de Moisés, sugiro que o leia (aqui Êxodo 1) antes de ler o texto a seguir. O texto abaixo foi compilado a partir de uma exposição do pastor Halim Suh nos dois primeiros capítulos do livro de Êxodo, realizada em setembro de 2015. A pregação completa dele está disponível em inglês aqui. Há alguns anos atrás (há sete anos, para ser mais exata) solicitei e obtive a autorização da The Gospel Coalition, onde este texto foi originalmente publicado em inglês, para traduzi-lo e divulgá-lo. Não o havia feito até hoje... bem, e hoje, mais do que nunca aqui no Brasil, precisamos clamar sobre isso! Boa leitura e que Deus te abençoe.

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O Infanticídio do Êxodo e o Aborto de hoje*

Halim Suh


Em Êxodo 1 e 2, frente à ameaça de um infanticídio e genocídio, Deus proveu uma forma de salvação e resgate através de um grupo de corajosas mulheres.


Ao olhar para a maneira como ele usou a mãe de Moisés, sua irmã Miriam, a filha do Faraó, e até mesmo para as parteiras hebreias para se oporem e livrarem de um infanticídio, nós, enquanto cristãos, podemos ser instruídos a como opor-nos e enfrentarmos os abortos que acontecem hoje em dia.


Particularmente, penso que há um chamado especial às mulheres nesta batalha, o qual a igreja precisa enxergar e abraçar.


A MÃE DE MOISÉS


Da mera conveniência ao verdadeiro sentimento de que não há outra opção, uma mulher ponderando abortar tem em mente um amplo espectro de fatores. A mãe de Moisés é o exemplo de uma mulher que experienciou não simplesmente um inconveniente, mas uma ameaça à sua própria vida se ela mantivesse o bebê.


Quando ela pariu Moisés e viu que ele era uma boa criança, contudo, ela não o matou. Ela o escondeu por três meses.


Essa imagem - de uma mãe escondendo seu bebê - é linda. Ela o estava escondendo, é claro, para o proteger.


Quando as crianças estão em sua infância, elas precisam de maior proteção e cuidado; então nós as mantemos perto de nós. Mas e quanto a uma criança antes do seu nascimento? Na sabedoria infinita de Deus, ele achou adequado colocar o bebê dentro da mãe - não apenas perto dela - durante seu estágio mais vulnerável e dependente.


Ainda assim, atualmente, para um bebê o mesmo lugar que Deus designou como o mais seguro em todo o mundo, se tornou o mais perigoso.


Se você está grávida, e pensando em abortar, Deus está te chamando para ter a coragem da mãe de Moisés. Mesmo correndo o risco de inconveniência e possível morte, ela viu que seu bebê era lindo e que valia a pena escondê-lo.


A IRMÃ DE MOISÉS


A irmã de Moisés, Miriam, entra na história em Êxodo 2:4-10. Apesar de ela não ser a mãe e de não estar na posição de ter que decidir o destino de Moisés, ela esteve relacionalmente próxima da pessoa em crise. Miriam é vigilante, criativa e inventiva. Ela também é disponível e fiel, e serve como uma advogada.


Miriam representa o papel que a maioria de nós irá desempenhar. A maioria de nós talvez nunca tenha que contemplar um aborto, mas todos nós precisamos buscar um vínculo com mulheres que possam estar encarando essa difícil decisão. Desempenhar a parte de Miriam neste mundo  significa que precisa haver proximidade - proximidade com a mulher em crise. E sim, isso significa que talvez tenhamos que dar um passo para fora de nossa comunidade de pessoas que se parecem como nós, falam como nós e agem como nós.


A FILHA DO FARAÓ


Uma outra grande figura nessa narrativa é a filha do Faraó. Do núcleo da família real genocida vem essa preciosa pessoa, uma princesa compassiva. Ela possui um coração maternal, e olhos facilmente levados às lágrimas.


O que podemos aprender com ela? Quem a filha do Faraó representa? Ela representa alguém em uma posição de poder, alguém com influência, alguém com o poder de proteger a vida.


Estudante universitário, este talvez seja você um dia se escolher trilhar uma carreira na qual terá a oportunidade de influenciar as leis. Nós todos carregamos essa responsabilidade em maior ou menor grau em relação a como nós votamos. Além disso, a filha do Faraó poderia representar indivíduos que têm recursos para ajudar a fundar centros de gestações em crise.


A filha do Faraó é também representativa das famílias adotantes. É vital ver como Deus está tecendo a história. Até mesmo se as circunstâncias forem tão ruins para que você tenha que dar o seu bebê, você faz algo verdadeiramente incrível quando escolhe a vida - não apenas para o seu bebê, mas para famílias adotivas também.


De uma forma ou de outra, Deus está chamando alguns de vocês para atuarem como a filha do Faraó.


SIFRÁ E PUÁ


Finalmente, há Sifrá e Puá, as parteiras que temeram mais a Deus do que ao Faraó e se recusaram, assumindo um risco pessoal, a massacrar bebês. Seus nomes soam estranhos para nós, mas Sifrá significa “aquela que é linda” e Puá, “aquela que é esplêndida”. E, aos olhos de Deus, essas duas mulheres foram realmente lindas e esplendidas, uma vez que suas ações foram exatamente dessas maneiras.


Deus usou Sifrá e Puá para resgatar bebês. Elas foram as primeiras heroínas pró-vida das Escrituras. E nós precisamos aprender delas e imitá-las também. Como John Piper disse, nós precisamos estar envolvidos no movimento pró-vida “redentivamente e não acusatoriamente”. Afinal, nosso Salvador, o próprio, nos chamou para uma vida de serviço: “Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Marcos 10:45).


E foi exatamente isso o que essas mulheres desconhecidas fizeram. Elas serviram. Por meio da humildade e do sofrimento - não da arrogância e da agressividade - elas arriscaram suas próprias vidas. E ao fazê-lo, elas nos apontam para aquele que não apenas arriscou sua vida, mas que entregou-a. E o Senhor Jesus Cristo não fez isso para resgatar “inocentes”; ele fez isso para resgatar grandes pecadores como você e eu.


E QUANTO A VOCÊ?


O Senhor está te chamando para ser corajosa como a mãe de Moisés e escolher a vida? Ou para ser uma fiel advogada como Miriam? Ou aquela que influencia - ou que adota - como a filha do Faraó? Ou uma heroína como Sifrá e Puá, que fizeram linda e esplêndida ação ao temerem Deus mais do que a Faraó e arriscaram suas próprias vidas para resgatar outras?


Nós sempre olhamos para as terríveis injustiças do passado - tais como o Holocausto, a escravidão, ou a segregação racial - e assumimos que teríamos escondido Judeus em nossa casa, teríamos dirigido ferrovias subterrâneas, ou marchado em Selma.


Bem, trabalhar para acabar com o aborto é nossa chance de fazer isso. Com a ajuda de Deus, nós podemos encerrar uma das maiores injustiças que o mundo já conheceu.


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*Texto originalmente publicado em: https://www.thegospelcoalition.org/article/the-infanticide-of-exodus-and-abortion-of-today/Traduzido e divulgado por: Laura A. Kümmel Frydrych (com permissão de The Gospel Coalition).