29/07/2015

Posso ser uma missionariazinha? Pode, sim, Bebé! (Relato de viagem)


Oi pessoal, vim aqui contar pra vocês como foi participar junto com a minha mãe de uma viagem missionária. Eu sempre achei legal a música do missionariozinho, e a do meu barco é pequeno (embora dance mais na do "cacão"), mas nunca pensei que tão cedo eu iria ter a oportunidade de "pregar aos outros novas salutares", e ainda mais indo de barco! Tenho quase 2 anos de idade, e na época da viagem - de 23 a 29 de maio de 2015 - eu estava com 1 ano e 9 meses.

Equipe e tripulação. (Foto do titio Odair Massao)

A equipe de voluntários que compôs a viagem à Comunidade Ribeirinha São Jorge (Caapiranga/AM), precisava de alguém para evangelizar os adolescentes, e aí minha mamãe foi convidada pra integrar a equipe. Eu, que estou sempre junto com ela, também fui bem-vinda - depois da certeza de Jesus, da liberação do papai, do apoio das titias missionárias da base Manaus de Asas de Socorro, e da plena paz e certeza de Deus no coração da minha mãe, que ainda não tinha  navegado por águas amazônicas, e que me levou na fé pra passar uma semana morando em um barco, em uma comunidade distante de casa!

Foi uma longa viagem de Manaus até à Comunidade São Jorge: quase 300 km rio Solimões acima, percorridos em quase um dia inteirinho de viagem. Saímos de Manaus de tardezinha, e daí como eu já tinha tirado a minha soneca da tarde antes de embarcarmos, fiquei bem acordada no início da nossa viagem. Até dei uma chorada quando teve a primeira reunião com a equipe, a tripulação e o comandante do barco - estranhei aquele monte de gente e o movimento do barco, mas nada que um mamá e o colo da mamãe não resolvessem. Logo em seguida comecei a conhecer o pessoal e a desvendar os cantos do barco, aí a viagem toda passou rapidinho pra mim!

Eu poderia falar do papá super bom que a gente comeu todos os dias, no café, no almoço e na janta, ou de como eu me comportei no quarto improvisado, dormindo junto com mais outras duas titias voluntárias, na farmácia do barco, dividindo um colchão com a mamãe (porque o restante do pessoal dormiu no redário); como a gente suava de dia no calorão, e à noite dormia com edredom por causa do ar condicionado (sim, no barco tinha ar pra nós à noite); poderia contar como foi tomar banho frio todos os dias ou ficar nanando todas as tardes sob a guarda do comandante, que virou meu escudeiro e acabou virando meu "vovô", enquanto a mamãe ministrava aos adolescentes; poderia contar que teve um dia que a gente tomou banho no rio e que teve dois que a gente foi - de barco - até uma igreja na comunidade vizinha, em que os irmãos e irmãs chegavam em seus barquinhos pro culto; poderia contar como foi ficar sem falar ou mandar qualquer sinal de vida para o papai durante a semana inteirinha, porque lá não pegava o sinal do celular da mamãe; mas eu não vou falar muito disso porque isso tudo foi muito legal, mas não o mais importante.


Lá na comunidade, durante as atividades na parte da manhã, a mamãe trabalhou também com as crianças e aí eu ia sempre junto, porque eu estou acostumada a acordar cedo. Por acordar cedo também foi que eu não perdi nenhum devocional da manhã, antes do café (do qual eu participava já tomando meu "sesau" (nescau)). Então, na escola eu conheci muitos "nunús" (meninos) e "nininhas" (meninas) que ficaram logo meus amigos. Algumas vezes eu ajudei a mamãe nas músicas que ela ensinou pras crianças e na hora do recreio muitos me faziam carinho e brincavam comigo. O Elias, o Robinho, o Matheus, o Davi, a Roseana, a Dionara, a Paula, e mais um monte de gente ficou minha amiga. No trajeto do barco até a escola, que demorava uns 10 minutos à pé, eu sempre escutava alguém chamando "ôoo Rebequinha!", e aí eu saía distribuindo meus "legal" com o polegar pra todo mundo!


Eu ainda não frequento nenhum ambiente escolar, então algumas vezes, durante as manhãs junto com a mamãe, eu fiquei incomodada de ficar ali "paradinha", dentro da sala. Aí ou a mamãe dava uma voltinha comigo na rua, ou, como na maioria das vezes, algum outro voluntário ou ribeirinho mesmo brincava comigo pra me distrair, enquanto a mamãe ficava na sala de aulaauxiliando nas atividades. Teve uma atividade que foi no pátio daí eu participei junto, era de correr, e foi muito legal e suarento!!!

Titio "Seséssi" (Jefferson) tocando "lhão"!

Roseana em suas atividades domésticas
A "xixia" (titia) Rute, atual líder da base Manaus de Asas de Socorro, e líder dessa missão da qual participei com a mamãe, falou uma coisa que pra minha mamãe e pra mim, de certa forma, guiou nossa postura durante toda a missão: "lembrem-se sempre de uma palavra: relacionamento!", dizendo que poderíamos registrar nossa presença na comunidade através de fotos e filmagens, mas que isso fosse consequência de um relacionamento mínimo com os ribeirinhos de São Jorge. Então, eu queria contar pra vocês também, que no penúltimo dia, a mamãe me levou na casa da adolescente Roseana e sua família, que era vizinha de onde nosso barco estava atracado. Ela, todos os dias após o almoço, e antes de ir pra aula, lavava a louça, e sempre o fazia cantando. Aí a mamãe resolveu ir na casa dela pra filmar ela cantando a música "Raridade". Ela cantou, um pouco tímida, e enquanto ela cantava eu fiquei brincando com os nunús e as nininhas que moram na casa dela também. Eu, que nos intervalos entre os turnos de atividades da equipe, brincava mais com a mamãe ou alguma outra pessoa dentro do barco, achei divertido jogar bolinha com eles, na casa deles. Aí a gente ficou mais amigo ainda e no culto de encerramento que teve antes de irmos embora, a gente cantou, ouviu a mensagem e brincou juntos também!


Em setembro desse ano ainda, se o Senhor permitir, voltaremos à comunidade São Jorge. Vai ser muito legal reencontrar os meus amigos e os alunos da mamãe, andar de barco de novo e servir a Jesus. Independentemente de eu participar de novo ou não de uma viagem missionária, o certo é o que diz o texto bíblico de João 3:16 - "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito para que todo aquele que nEle crer, não pereça, mas tenha a vida eterna". Deus me amou. Deus amou meus papai. Deus amou os ribeirinhos de São Jorge. Deus amou você! Eu, que ainda sou baixinha em estatura, quero, a cada dia, crescer em graça crendo em Jesus e compartilhando as boas novas salutares que Ele tem para todo mundo!


Se você gostou desse relato e quiser saber tudinho o que aconteceu nessa nossa viagem, assista também a esse vídeo aqui, que reúne fotos de todos os nossos momentos na Comunidade. Teve atendimento odontológico e médico também, mas eu não participei dessa parte porque fiquei com a mamãe e outros da equipe nas ações com as crianças e adolescentes. Se você quiser conhecer mais e contribuir com a missão Asas de Socorro curta a página deles no facebook e/ou consulte o site.

Aqui embaixo segue um vídeo que a mamãe editou, com um resumo dessa minha primeira viagem missionária. Um beijo, e até a próxima! Bebé.