LEIAM BEM: O texto abaixo é a cópia de um email que enviei para alguns amigos no dia 31 de janeiro de 2015. Vejam bem: a data está caduca, ou seja, esse é um relato passado de um passado passado. Quase três anos depois, relendo ele, achei que valia a pena publicá-lo aqui, por algumas razões. Primeiro, porque estamos às vésperas de uma nova mudança (vai ser a 4ª em 7 anos); segundo, porque mudanças são sempre grandes (que dão frio na barriga pelo destino desconhecido, o que pode deixar muita gente aflita e ansiosa, e também dá uma trabalheira o desmonta-a-casa-fica-um-tempo-sem-casa-remonta-a-casa, e tem gente que fica estressada com toda essa função, mas no fim - mais cedo ou mais tarde - tudo se ajeita e a gente toma jeito com o jeito da nova e diferente gente que vive em volta da gente/ou a gente no meio dela), e aí é legal perceber com esse registro aqui que, particularmente, já me acostumei com essas andanças (uma vez que não consigo mais me imaginar morando num lugar só definitivamente pra sempre, não); e terceiro porque retornar para Manaus é uma das possibilidades (da qual só Deus tem os detalhes temporais, de quando e dos porquês), e ver o quanto o meu ponto de vista sobre a cidade se ampliou, e o quanto eu ganhei (gente, tenho uma filha manauara!!! 💗), após dois anos morando lá, é um exercício interessante. Bem, essa última parte vocês não tem muito como mensurar, afinal, é o meu ponto de vista. Seja como for, espero que curtam o relato!
Manaus, 31 de Janeiro de 2015
Olá queridos!
Esse email tem o intuito de manter contato com vocês, de eu ter um registro e, também, de compartilhar um pouco do que temos vivido aqui em Manaus. Pretendo escrever uma vez por mês, então serão, a princípio, 24 Manaus News. É o tempo que, se o Senhor não voltar, passaremos aqui. Quem quiser acompanhar é só dar um feedback pra mim, ok?! Quem quiser ser excluído da lista de narrativas tão longas quanto a distância POA-MAO (Manaus), também é só me dar um toc!
Bom, há algumas horas de terminar o último dia do nosso primeiro mês aqui em Manaus, recebi uma mensagem de whatsapp muito de Deus de uma amigona minha de Taubaté, que em resumo dizia o seguinte: "Enfim, amiga, vc estando como eu ou não, quero te dizer que não está só...o melhor amigo q alguém pode ter está contigo...Espírito Santo!". Ela escreveu mais outras coisas, versículos e também tinha um áudio, mas enfim, essa frase com esse entendimento tão evidente pra nós, no momento em que li, gerou (mais) vida em mim! Eu sei que não estou só, mas confirmei e pude sentir a Presença dEle!
A CHEGADA
Ressalto esse aspecto porque no início aqui eu me senti bem desconfortável e sozinha. Nossa mudança atrasou 2 semanas a mais do que o previsto para chegar, e aí ficamos hospedados na casa de um colega do Fe. Eles iam trabalhar e eu ficava sozinha com a Beca. Foi ótimo não precisarmos ficar em um hotel - na casa estávamos à vontade e bem entretidas! - mas não estar na própria casa, no meu cantinho "germânico", com as nossas coisas, foi difícil mas divinamente pedagógico também ôh glória! Aprendi a estar contente com essa situação também. E quando a mudança chegou foi muuuito legal!!! Ficamos com o apto atulhado de caixas, mas estávamos bem felizes.
O vôo foi longo, de madrugada, a Beca dormiu como deu durante as 4h de voo Guarulhos-Manaus no meu colo, eu dormia e acordava, dormia e acordava, toda torta e quadrada, com 10kg capotados em cima de mim. Daí na saída do aeroporto um abraço caloroso do "bafo" (clima) da selva amazônica nos deu as boas vindas!!! Seguimos com o colega pra casa dele. Era dia 30/12/14. Passamos a virada do ano lá na casa dele também com outros colegas do quartel. Foi legal já na chegada conhecer as famílias do 4º BAvEx. Reencontrei algumas meninas que tinham morado em Tté, agora com filhos, legal! E no final de semana o colega nos levou à praia.
PRAIA
A que fomos fica há uns 50 min do centro de Manaus, mas já é considerado interior! Atravessamos A PONTE, obra inaugurada recentemente e a maior estaiada em águas fluviais do Brasil, a qual cruza o Rio Negro mas liga nada à lugar nenhum haha. Se vcs derem uma olhada no google (AM-070 é a estrada) vão ver isso...tanto que ela termina no meio do mato (numa cidade chamada Novo Airão). Pra chegar em Manaus só por água ou céu. Por terra no way! Então, nessa estrada após a ponte, tem algumas praias (de água doce, evidentemente). Em Manaus mesmo tem a praia da Ponta Negra, que é como se fosse o Gasômetro daqui (com a diferença de que é banhável, rá). Mas o colega quis nos levar de cara numa das melhores (se não a melhor, na opinião dele): Açutuba. Tinha quiosque, guarda-sol, mesas e cadeiras na beira, e árvores tmb. Armamos nosso acampamento na sombra de uma delas (não sei o nome). Geral leva rede e pendura nas árvores, bem diferente, prático curti haha! Tinha banana boat à 5 reais, mas eu fiz mesmo foi standup paddle no Rio Negro hoho! O bizarro do passeio foi ver lá pelas tantas, uma mulher brancona, mais branca que eu, tipo a mulher tava branca feito papel mesmo, e a minha amiga me disse que é bem comum ver isso nas praias daqui: a mulherada fazendo banho de lua (siiim, pasmem: creme com água oxigenada pra clarear os pêlos do corpo!!!). Cara, muuuito bizarro, coisa que quem não é daqui não faz nem na frente do espelho hahaha, as mulher daqui fazem como se fosse a coisa mais natural do mundo (na piscina aqui do prédio hj de manhã uma vizinha se bezuntou toda tmb afff...não é só na praia!). Fora a cena da alva, o passeio foi tri!

NOSSO AP
Foram 73 volumes para serem abertos e acomodados nos seus devidos lugares. O ap é uma belezinha, moramos no 12º andar tem vista pra um matinho, pro bairro e enxergamos tmb a arena da Amazônia. Ar condicionado é obrigatório aqui, então já instalamos os nossos tão logo chegamos. Passamos uns 2 dias abrindo as caixas e a Rebeca sempre junto. O que o estilete era pra nós, uma chave de fenda era pra ela: ficava furando e "abrindo" as caixas e plásticos bolha com a gente, ajudando a levar as coisas pra lá e pra cá, achava alguma coisa e ficava distraída mexendo, não imaginei que ela fosse ficar tão de boa: a fofilda definitivamente é uma boa companheiraaaa, ninguém pode negar!

O condomínio é bem bom, assim como o bairro tmb o é. Mas é longe do quartel. Tem de tudo aqui. Aos poucos vamos descobrindo os bizús: mercados, lojinhas, farmácias, bancos, shoppings, etc. Não precisamos teoricamente ir ao centro pra achar as coisas (como era em Taubaté). Enfim, já estamos super bem acomodados, com todas as nossas coisas, esperando as visitaaaasssssss!!! :)
MEU ANIVER - 14/01
Além das mensagens que recebi de vocês, as gurias esposas dos colegas do Fe organizaram uma festa surpresa pra mim! Não desconfiei e nem esperava!!! Fiquei muito feliz com o carinho delas, eu mal cheguei e já fui recebida assim, com festa :) O pessoal se encontra bastante, vira e mexe tem churrasco na casa de um, janta na casa do outro, almoço e tal...vida de militar é assim, ninguém tem família aqui, e os colegas acabam se tornando família. A diferença dos crentes milicos é que esses ganham + 2 famílias!
CONGREGAÇÃO
Visitamos em cada domingo uma congregação diferente. E esperamos a confirmação de Deus. Isso é bem interessante: Deus dá paz quando a gente entra no lugar e sente uma certeza difícil de descrever quando é o lugar que é pra gente ficar. Quando o Fe disse: "Laura, é aqui que a gente vai congregar, gostei do culto", eu só disse amém, porque tmb já havia obtido a certeza no meu coração! Graça e cuidado de Deus pra nós! Igreja Batista União. Vou falar mais dela no próximo news, porque só fomos em um culto por enquanto, mas já decidimos que vamos no retiro de carnaval deles. Para o retiro, cada um leva a sua rede para dormir tmb, ou barraca. Ou dorme em casa, que é o que a gente vai fazer, a princípio (mas eu curti essa ideia da rede haha #lauríndia).
TEATRO
Fomos conhecer o Teatro Amazonas. Assistimos à uma peça de teatro/musical infantil chamado "Mania de Explicação", com a Luana Piovani. Peça à parte [super lúdica, colorida, engraçadinha, cenário muito bonito], o Teatro é muuuito lindo. A arquitetura e tudo o mais muito lindo pros olhos! O musical infantil foi nossa oportunidade de conhecermos o Teatro junto com a Rebeca. Mas fiquei sabendo que em maio tem um festival de ópera aqui...quem quiser vir pra ficar com a Beca pra eu ir com o Fe hahaha, tem comida de graça! Há, tmb fui no cinematerna com a Rebeca. O filme era um brasileiro bem idiota, mas a sala do cinema vip é show!
OUTROS
*Experimentamos carne de tartaruga. Bom!
*O trânsito daqui é meio bem sem lei...mais de 2 em 1 moto eu já vi (mãe com bebê na garupa!!! Gzúis!!!), e galera sem capacete é a coisa mais normal! Não se dá seta pra nada, nem preferencial, tem que meter o carro mesmo... O ano letivo começa segunda agora, daí dizem que o trânsito fica punk. Oremos!
*Palavras que já sei o significado: TRACAJÁ, TAPEREBÁ, PUPUNHA, CUPUAÇÚ, PIRARUCU, TAMBAQUI, CANHO, BARÉ, dentre outras.
*1 mês e não vi nenhum bicho, fora formiguinhas e alguns insetos. Pra quem pensa que na selva só tem bicho...
*O povo fala "TU" aqui...daí agora tenho que reformular minhas frases do já pseudo-incorporado "VOCÊ" do meu vocabulário taubateano ao "TU" manauara. A Rebeca ainda não fala mas vai seRR um mixxto só, barbaridade!!!
*Aqui não tem horário de verão, então são 2h a menos que o Brasil, haha! E nós temos um telefone fixo, se alguém quiser bater papo com a Rebeca: (92) 3345-5395.
Bom, como eu disse, esse email é pra eu registrar o que temos vivido aqui. Então me dou o direito de escrever o quanto eu quero hehe. Não precisam responder na mesma medida blz!
Amo cada um e me despeço com a certeza da realidade do texto de Filipenses 4 na nossa vida e na de vocês! Como me disse uma outra amigona de Taubaté tmb (ôooh terra abençoada!!!): "onde quer que vcs estejam estaremos juntos... pois estamos ligados à mesma Videira". Com certeza não estamos sós!!! Orem por nós, pelo desenvolver do nosso congregar, pelo trabalho do Felipe, pelo crescimento da Bequilda Fofilda Sapequilda Tudodebomzilda, e por mais desfrutar de comunhão com Deus da minha parte. AMÉM!!!
Beijos,
Laura.