Oi Mana,
decidi escrever essa carta
para parabenizá-la pela dedicação e empenho que você tem para com a sua família
ao não parar de congregar só porque agora você tem um bebê pequeno. Que bom que a herança que o Senhor confiou a vocês não é tida por você e seu esposo como um empecilho para cultuarem, junto à congregação, ao próprio Senhor que o deu. Sempre que
vejo você no meio de tanta gente nos cultos (às vezes lotado!), me alegro porque
"você escolheu a vida, e escolheu estar no melhor lugar que você poderia estar
com o seu filho". Posso imaginar que às vezes seja trabalhoso estar na
reunião com seu pequeno, e que nem sempre você está lá no seu melhor dia, ou
com o maior ânimo que possa demonstrar, mas o simples fato de você estar lá, pode
ter certeza, é algo muito positivo e exemplar para a família da fé e para o
congregar. Mais ainda o é para o seu filho, e é sobre isso, principalmente, que
eu quero tratar nesta carta.
Eu lembro que quando você
estava grávida, havia toda aquela expectativa ao seu redor. Sempre algum irmão
ou irmã vinha cumprimentar você, perguntar como você estava, acariciar sua barriga.
Ou alguma das inúmeras crianças, logo que você chegava ou ao final do culto, vinha
te abraçar e perguntar sobre o nenê. Todos ao te olharem sorriam pra você, e
você se sentia confortável e amada naquela congregação. Você começou a
participar com mais frequência das reuniões de mulheres da igreja, e também a
orar de todo o coração pelas crianças quando eram chamadas à frente do púlpito
para a bênção. Você estava se preparando não só de corpo, mas de espírito
também para a chegada do seu bebê e isso foi ótimo, sem dúvidas. Apesar das
mudanças que a gravidez acarreta, você estava em paz consigo mesma, em paz com
Deus, servindo a Ele de coração e participando das atividades da congregação
com alegria, esperando a chegada do seu tão esperado bebezinho.
Não tenho palavras para
descrever o quão alegre e faceiro estava o seu marido, e a sua mãe
também, quando vocês retornaram à igreja depois que o bebê nasceu, e,
principalmente no culto em que apresentaram seu filho à congregação e o
consagraram a Deus. Você estava linda como sempre, arrumada, com os cabelos
penteados e, apesar de não estar com um daqueles seus vestidos longos, a camisa
de abotoar estava certinha no seu corpo pós-parto, e (quase) nem deu pra
reparar na sua barriga daquele momento, hehe! Lembro de você estar um pouco
receosa sobre como lidar com toda aquela gente querendo ver de pertinho, tocar
e se alegrar em conhecer, finalmente, o bebê tão querido. Lembro-me de você
tapar o ouvidinho dele com uma fraldinha durante o louvor, e também de sair
umas duas ou três vezes durante a mensagem para trocar a fralda ou amamentar,
às vezes.
Como passou rápido tudo isso! E
que bom que você e seu esposo estão bem e se adaptando a cada fase do pequeno e
desenvolvendo com zelo e temor a paternidade de vocês. E que bom também que
continuo vendo vocês nos cultos! Sei que agora o bebê já não está mais tão
pequeno, que vocês já começaram a introdução alimentar com ele e que ele já
ensaia suas primeiras sílabas, querido! Percebi, também, como ele está ligado
em tudo o que acontece ao seu redor, e como gosta de mexer as perninhas! Ele
continua sendo querido por todos, mas na congregação agora temos outras irmãs
grávidas e outros bebês mais novinhos que o seu, e, com isso, ele não é mais o foco
das atenções e carinhos dos irmãos e irmãs. Você comentou comigo, domingo
passado que, quando ele chorou esperando pelo mamá, no meio da pregação, você
percebeu que algumas pessoas sentadas na fileira à frente de vocês, se viraram
para trás e olharam rapidamente para ele e para você (e ainda bem no momento em
que você estava desabotoando a sua camisa, com a fralda à tiracolo, para dar o
peito pro nenê...!). Aqueles olhares deixaram você constrangida e incomodada, mas não a ponto de travar teus objetivos e expectativas em relação ao congregar com a sua família.
Depois daquele dia, vocês perceberam que outras
situações e atitudes do seu bebê chamam a atenção dos olhares das pessoas
durante a reunião e decidiram, definitivamente, sentar mais ao fundo do
salão, para não distraírem tanto os outros irmãos, principalmente durante a
mensagem do pastor. Você percebeu que até o seu bebê ficou mais tranquilo por
poder se movimentar mais à vontade (mas é claro, não com toda liberdade)?
Querida, não posso deixar de
comentar que você demonstra a sua sabedoria nos detalhes em relação aos
cuidados com o seu filho! E isso tudo eu
percebo só de observar vocês durante o culto por alguns instantes (eu também
presto atenção na pregação da palavra, viu?! mas é que o teu filhinho é tão
fofo e vocês, uma família tão bonita, que às vezes me pego admirando-os à
distância e me recordo de quando a minha filha tinha a idade do teu!). Meus
parabéns por levar os biscoitinhos que ele gosta num potinho com tampa. Assim,
além de evitar o barulho chato que o pacote dos biscoitos faz quando a gente
abre ele, vi que o teu fofinho ficou alguns minutos entretido com a tampinha do
pote. Ele parecia estar se divertindo! Você também trocou os brinquedinhos que leva pra ele, né?! Ele nem
dava mais bola para aquele chocalhinho que ganhou da tia quando nasceu, e
nem se distrai mais tanto com aquele ursinho preto e branco que você comprou
pra ele. Gosta mesmo é dos zíperes da sua bolsa, ou da caneta na Bíblia do papai. Achei
legal você ter alcançado pra ele aquela sua niqueleira velha pra ele brincar de
abrir e fechar, e de onde você tirou a ideia de levar uma calculadora
pequeninha para ele?! Demais!!! Aqueles botões e a possibilidade de ele ficar
apertando, mexendo com a pontinha do indicador deixaram ele silenciosamente
distraído por quase quinze minutos na última reunião, não?! Vi que você até
tentou abrir a Bíblia no versículo indicado pelo pastor, mas daí com o teu
movimento ele se distraiu, né?! O caderninho para rabiscar e os livrinhos
interativos - aquele que ele abre e fecha portinhas e janelinhas e o que tem
personagens para ele passar a mãozinha -, também foram ótimas sacadas para ele
ficar tranquilo durante a reunião e, por isso, você ficar tranquila também. Eu acho
tão bonitinho ver o seu bebê quase adormecido no colo do pai, ao fundo
do salão quando chega o momento final do culto (quando ele não fica choroso, é
claro!). Penso que para você, às vezes, possa ser um alívio o término da
reunião, mas agradeço a Deus pelo seu exemplo de, mesmo após ficar um tempão
com o filho nos braços, ainda erguer as mãos para louvar a Deus na música final.
Vejo você se entregando, quase que literalmente, com todo o seu ser para o
Senhor! Que bom que você faz isso, e que seja de coração, pois com isso o
Senhor se alegra!
Antes de terminar, queria dizer
que eu vi, eu viiii, há alguns cultos atrás, que na hora do louvor, o teu filhinho
ensaiou as palminhas!!! Que coisa mais querida! E como ele gosta quando vocês
ficam com ele no colo, embalando-o no ritmo do louvor: a gente que fica mais
atrás de vocês se delicia com os sorrisinhos dele!!! Dá muito prazer cultuar a
Deus num ambiente assim, familiar e tão alegre! E, sabe, amiga, você contribui
para isso. Você, seu esposo, e seu filhinho são partes do corpo de Cristo, da família
de Jesus, e que falta vocês fazem quando vão viajar ou se o teu filhinho fica
doente e impossibilita vocês de participarem do culto naquele dia. Que
privilégio você e seu esposo concedem a ele de poder estar na casa do Senhor
desde a mais tenra idade, e que bom que ele crescerá vendo com os próprios
olhos o testemunho de amor de vocês ao Senhor e a sua Obra, e a reverência que
têm para com o momento do culto! Que alegria saber que ele irá crescer junto a
outras criancinhas que também estão sendo inculcadas na palavra de Deus desde
cedo, e assim poderá desenvolver amizades sadias, benéficas para ele, mas
principalmente amizades que glorifiquem a Deus! Logo logo ele terá idade para
participar do culto infantil, e aí você viverá outra etapa da maternidade.
Mana, a sua decisão de
continuar congregando, mesmo com o seu bebê sendo tão pequeno é digna de
louvor. Admiro você, admiro sua família e agradeço a Deus pelo exemplo que você
dá. Eu sei que você sabe que Deus não tem netos e que não é por que você e seu
esposo tomaram a decisão por Jesus que seu filho irá tomá-la também. A resposta
ao chamado de Cristo é pessoal e individual. A vez do seu filho irá chegar, e
que bom que ele tem nos próprios pais o exemplo da bênção de tão importante
decisão e os caminhos certos de paz que ela apresenta!
Ah, tem um casal de jovens chegando
na congregação. Eles ainda são novos na fé. Você viu que a filhinha deles é
quase da idade do teu? Vou te apresentar para eles domingo que vem, pode ser?
Acho que vai ser muito bom para a mãe ter a sua amizade.
Bom, me despeço desejando a vocês uma ótima semana, na paz de Jesus, que nos ensina todas as coisas (incluindo a maternidade).
Um beijo, Laura.
