10/05/2015

Carta a uma jovem mãe que vai aos cultos com seu bebê

Oi Mana,

decidi escrever essa carta para parabenizá-la pela dedicação e empenho que você tem para com a sua família ao não parar de congregar só porque agora você tem um bebê pequeno. Que bom que a herança que o Senhor confiou a vocês não é tida por você e seu esposo como um empecilho para cultuarem, junto à congregação, ao próprio Senhor que o deu. Sempre que vejo você no meio de tanta gente nos cultos (às vezes lotado!), me alegro porque "você escolheu a vida, e escolheu estar no melhor lugar que você poderia estar com o seu filho". Posso imaginar que às vezes seja trabalhoso estar na reunião com seu pequeno, e que nem sempre você está lá no seu melhor dia, ou com o maior ânimo que possa demonstrar, mas o simples fato de você estar lá, pode ter certeza, é algo muito positivo e exemplar para a família da fé e para o congregar. Mais ainda o é para o seu filho, e é sobre isso, principalmente, que eu quero tratar nesta carta.

Eu lembro que quando você estava grávida, havia toda aquela expectativa ao seu redor. Sempre algum irmão ou irmã vinha cumprimentar você, perguntar como você estava, acariciar sua barriga. Ou alguma das inúmeras crianças, logo que você chegava ou ao final do culto, vinha te abraçar e perguntar sobre o nenê. Todos ao te olharem sorriam pra você, e você se sentia confortável e amada naquela congregação. Você começou a participar com mais frequência das reuniões de mulheres da igreja, e também a orar de todo o coração pelas crianças quando eram chamadas à frente do púlpito para a bênção. Você estava se preparando não só de corpo, mas de espírito também para a chegada do seu bebê e isso foi ótimo, sem dúvidas. Apesar das mudanças que a gravidez acarreta, você estava em paz consigo mesma, em paz com Deus, servindo a Ele de coração e participando das atividades da congregação com alegria, esperando a chegada do seu tão esperado bebezinho.

Não tenho palavras para descrever o quão alegre e faceiro estava o seu marido, e a sua mãe também, quando vocês retornaram à igreja depois que o bebê nasceu, e, principalmente no culto em que apresentaram seu filho à congregação e o consagraram a Deus. Você estava linda como sempre, arrumada, com os cabelos penteados e, apesar de não estar com um daqueles seus vestidos longos, a camisa de abotoar estava certinha no seu corpo pós-parto, e (quase) nem deu pra reparar na sua barriga daquele momento, hehe! Lembro de você estar um pouco receosa sobre como lidar com toda aquela gente querendo ver de pertinho, tocar e se alegrar em conhecer, finalmente, o bebê tão querido. Lembro-me de você tapar o ouvidinho dele com uma fraldinha durante o louvor, e também de sair umas duas ou três vezes durante a mensagem para trocar a fralda ou amamentar, às vezes.

Como passou rápido tudo isso! E que bom que você e seu esposo estão bem e se adaptando a cada fase do pequeno e desenvolvendo com zelo e temor a paternidade de vocês. E que bom também que continuo vendo vocês nos cultos! Sei que agora o bebê já não está mais tão pequeno, que vocês já começaram a introdução alimentar com ele e que ele já ensaia suas primeiras sílabas, querido! Percebi, também, como ele está ligado em tudo o que acontece ao seu redor, e como gosta de mexer as perninhas! Ele continua sendo querido por todos, mas na congregação agora temos outras irmãs grávidas e outros bebês mais novinhos que o seu, e, com isso, ele não é mais o foco das atenções e carinhos dos irmãos e irmãs. Você comentou comigo, domingo passado que, quando ele chorou esperando pelo mamá, no meio da pregação, você percebeu que algumas pessoas sentadas na fileira à frente de vocês, se viraram para trás e olharam rapidamente para ele e para você (e ainda bem no momento em que você estava desabotoando a sua camisa, com a fralda à tiracolo, para dar o peito pro nenê...!). Aqueles olhares deixaram você constrangida e incomodada, mas não a ponto de travar teus objetivos e expectativas em relação ao congregar com a sua família.

Depois daquele dia, vocês perceberam que outras situações e atitudes do seu bebê chamam a atenção dos olhares das pessoas durante a reunião e decidiram, definitivamente, sentar mais ao fundo do salão, para não distraírem tanto os outros irmãos, principalmente durante a mensagem do pastor. Você percebeu que até o seu bebê ficou mais tranquilo por poder se movimentar mais à vontade (mas é claro, não com toda liberdade)?

Querida, não posso deixar de comentar que você demonstra a sua sabedoria nos detalhes em relação aos cuidados com o seu filho!  E isso tudo eu percebo só de observar vocês durante o culto por alguns instantes (eu também presto atenção na pregação da palavra, viu?! mas é que o teu filhinho é tão fofo e vocês, uma família tão bonita, que às vezes me pego admirando-os à distância e me recordo de quando a minha filha tinha a idade do teu!). Meus parabéns por levar os biscoitinhos que ele gosta num potinho com tampa. Assim, além de evitar o barulho chato que o pacote dos biscoitos faz quando a gente abre ele, vi que o teu fofinho ficou alguns minutos entretido com a tampinha do pote. Ele parecia estar se divertindo! Você também trocou os  brinquedinhos que leva pra ele, né?! Ele nem dava mais bola para aquele chocalhinho que ganhou da tia quando nasceu, e nem se distrai mais tanto com aquele ursinho preto e branco que você comprou pra ele. Gosta mesmo é dos zíperes da sua bolsa, ou da caneta na Bíblia do papai. Achei legal você ter alcançado pra ele aquela sua niqueleira velha pra ele brincar de abrir e fechar, e de onde você tirou a ideia de levar uma calculadora pequeninha para ele?! Demais!!! Aqueles botões e a possibilidade de ele ficar apertando, mexendo com a pontinha do indicador deixaram ele silenciosamente distraído por quase quinze minutos na última reunião, não?! Vi que você até tentou abrir a Bíblia no versículo indicado pelo pastor, mas daí com o teu movimento ele se distraiu, né?! O caderninho para rabiscar e os livrinhos interativos - aquele que ele abre e fecha portinhas e janelinhas e o que tem personagens para ele passar a mãozinha -, também foram ótimas sacadas para ele ficar tranquilo durante a reunião e, por isso, você ficar tranquila também. Eu acho tão bonitinho ver o seu bebê quase adormecido no colo do pai, ao fundo do salão quando chega o momento final do culto (quando ele não fica choroso, é claro!). Penso que para você, às vezes, possa ser um alívio o término da reunião, mas agradeço a Deus pelo seu exemplo de, mesmo após ficar um tempão com o filho nos braços, ainda erguer as mãos para louvar a Deus na música final. Vejo você se entregando, quase que literalmente, com todo o seu ser para o Senhor! Que bom que você faz isso, e que seja de coração, pois com isso o Senhor se alegra!

Antes de terminar, queria dizer que eu vi, eu viiii, há alguns cultos atrás, que na hora do louvor, o teu filhinho ensaiou as palminhas!!! Que coisa mais querida! E como ele gosta quando vocês ficam com ele no colo, embalando-o no ritmo do louvor: a gente que fica mais atrás de vocês se delicia com os sorrisinhos dele!!! Dá muito prazer cultuar a Deus num ambiente assim, familiar e tão alegre! E, sabe, amiga, você contribui para isso. Você, seu esposo, e seu filhinho são partes do corpo de Cristo, da família de Jesus, e que falta vocês fazem quando vão viajar ou se o teu filhinho fica doente e impossibilita vocês de participarem do culto naquele dia. Que privilégio você e seu esposo concedem a ele de poder estar na casa do Senhor desde a mais tenra idade, e que bom que ele crescerá vendo com os próprios olhos o testemunho de amor de vocês ao Senhor e a sua Obra, e a reverência que têm para com o momento do culto! Que alegria saber que ele irá crescer junto a outras criancinhas que também estão sendo inculcadas na palavra de Deus desde cedo, e assim poderá desenvolver amizades sadias, benéficas para ele, mas principalmente amizades que glorifiquem a Deus! Logo logo ele terá idade para participar do culto infantil, e aí você viverá outra etapa da maternidade.

Mana, a sua decisão de continuar congregando, mesmo com o seu bebê sendo tão pequeno é digna de louvor. Admiro você, admiro sua família e agradeço a Deus pelo exemplo que você dá. Eu sei que você sabe que Deus não tem netos e que não é por que você e seu esposo tomaram a decisão por Jesus que seu filho irá tomá-la também. A resposta ao chamado de Cristo é pessoal e individual. A vez do seu filho irá chegar, e que bom que ele tem nos próprios pais o exemplo da bênção de tão importante decisão e os caminhos certos de paz que ela apresenta!

Ah, tem um casal de jovens chegando na congregação. Eles ainda são novos na fé. Você viu que a filhinha deles é quase da idade do teu? Vou te apresentar para eles domingo que vem, pode ser? Acho que vai ser muito bom para a mãe ter a sua amizade.

Bom, me despeço desejando a vocês uma ótima semana, na paz de Jesus, que nos ensina todas as coisas (incluindo a maternidade).

Um beijo, Laura.



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