23/10/2015

Lalalá de bebê, música de adulto e o que a vovó tem a ver com isso?

Desde que a Rebeca era bebê eu  preferia colocar cds de música para ela ouvir do que ligar a televisão para ela se entreter. Foi mais de um ano priorizando estimular os ouvidinhos dela do que os olhinhos. Além dos cds que eu tinha que eram os que eu ouvia na minha infância (tipo Louvores da Garotada com a turma do Salty) eu comprei outros dois pensando na Rebeca e nos meus alunos da escola bíblica dominical (mãe estagiando com os alunos, e professora estagiando com a filha!): Jesus Cuida do Bebê e Deus Ama, da Editora Cristã Evangélica. Viraram hit aqui em casa, não tanto porque a Rebeca bebê esboçasse qualquer admiração ou entusiasmo por eles, mas porque eu, a mãe, gostava de ouvir aquelas bem compostas musiquinhas!

A Rebeca foi crescendo, e as fases no desenvolvimento dela foram se complexificando. O mamá de antes de dormir já não era o sonífero instantâneo de outrora, e assim fomos nos adaptando. Teve uma fase em que ela pegava no sono de tarde ao embalo de bossa nova. Eu com ela dançando, girando e dê-le bossa. Era tiro e queda. Coisa mais engraçada (eu "dançando")! Depois, às noites, já na caminha dela, cantávamos músicas tipo essa pra ela dormir e ela...dormia!!! Mas aí ela meio que aprendeu a cantarolar junto ou se acostumou com as nossas vozes, e a cantoria paterna já não fazia mais tanto efeito para dormir - para divertir e cantar por cantar, sim. Aí apelamos para o tablet e como o som que nós, pais, estávamos curtindo naquele momento era esse aqui, resolvemos colocar para ela dormir ouvindo-o também. Essa, Oceans, na versão acústica foi top hit parade por meses aqui em casa, a ponto da guria aprender a solfejar em rebequês o refrão, e nos 9min50 de duração dessa versão pegar bonitinha no sono!

Mas aí, meio que me dei conta de que eu tinha parado de colocar os cds infantis pra ela ouvir e tava só com os arranjos e composições mega complexos da tradicional gravadora juvenil evangélica australiana. Apelei então para a ex-universitária de música mais querida e amada que eu conheço - professora de teoria musical e piano para adultos e crianças em Porto Alegre/RS, regente de corais, graduada em Música, e que também é avó da minha filha, a que testa os brinquedos musicais nas lojas antes de comprar para ver se são afinados haha, minha sogra única e favorita - e mandei uns whatsapp pra ela perguntando se tinha essa coisa de música de criança mesmo, ou se é tudo a mesma coisa, dentre outras questões musicais. A conversa rendeu, e como a Tânia é profissional da área, com muito conhecimento de causa, e é uma entusiasta do ensino e apreciação de música, ela deixou eu compartilhar nossa conversa aqui:

Laura, essas respostas para as tuas três perguntas, que na real foram, vamos dizer, umas 5 ou 6, são do meu ponto de vista pessoal, fruto da minha prática como mãe, e professora de música, certo? A seguir, apenas comento o que percebo e sinto!
    1)  Existe música de bebê e música de adulto? Existe essa diferença? Devemos fazer essa diferenciação?
Da mesma maneira que existe roupas e alimentos próprios para bebês e para adultos, acredito que ocorre o mesmo na música. A música é uma linguagem e como tal deve ser aplicada na vida das crianças de acordo com suas peculiaridades e desenvolvimento físico, intelectual, social, emocional e espiritual. Todo o ser da criança está sendo preparado para a vida adulta, que não para de aprender, não é mesmo?  Respeitar, musicalmente, o processo de aprendizagem das crianças significa ir, aos poucos, introduzindo novos elementos musicais que serão para sempre memorizados em seu cérebro, para toda a vida delas. Claro que a criança pode escutar músicas de todos os tipos e estilos. Isso a ajudará em suas escolhas, principalmente se ela for voltada, tiver uma inclinação, para a área musical. Não gosto da ideia de trabalhar musicalização com crianças deixando de lado as canções infantis, que quem compôs pensou em quem?! Nas crianças!!! Sinto também que essa prática musical de trabalhar canções infantis com as crianças nas igrejas está sendo pouco valorizada e estimulada, infelizmente. Atualmente eu faço um trabalho de educação musical com um grupo de 30 crianças na igreja na qual sou membro. Mas ao conversar com algumas professoras de escolas bíblicas sobre música evangélica para crianças e sua aplicação nas aulas, a maior dificuldade que eu percebo é que as próprias professoras não sabem cantar, e também não usam os recursos tecnológicos disponíveis, dentre outros fatores. Algo que também me surpreende é perceber que a maioria das pessoas que trabalham/servem com as crianças nas igrejas, entende que como as crianças já participaram do louvor congregacional que geralmente acontece no início dos cultos, elas já cantaram e, por isso, não precisariam de um momento de louvor e cânticos em sua própria linguagem infantil. Então, para mim existe sim diferença e eu faço questão de diferenciar música de/para bebê e de/para adulto.

 2)    Qual a importância de ouvir música desde cedo na infância? Qual influência isso vai ter para o presente, para o futuro e para formação geral e musical de uma criança?
Se eu pudesse medir o tamanho ou o grau dessa importância acho que não conseguira fazer por números, de tão grande que seria o resultado! Vejo isso na minha vida e na vida dos meus “filhinhos” (os três hoje tem mais de 20 anos!). Na minha família nós tivemos contato musical desde dentro do ventre da mamãe. Posso dizer que nascemos "musicalizados", tanto por influência de casa como da igreja.  Meu pai tocava trompete e cantava no coral, minha mãe também cantava no coral. Desde pequena, eu sempre participei dos ensaios! Tive o começo da minha formação técnica musical na igreja. Na Escola Bíblica Dominical, os adultos cantavam as canções infantis junto com as crianças e depois quando íamos para nossas classes, também cantávamos com a professora. Será que isso não contribuiu para fazer o que faço hoje?! Com absoluta certeza, sim!! Também vejo o oposto, quando ensaio o coral adulto. Digo sem errar que 90% das pessoas que ingressam no coral não praticam nenhum tipo de atividade musical e se praticaram alguma vez na vida foi lá nos tempos passados da infância em que tiveram aula de música na escola (isso considerando adultos na faixa etária dos 30 a 50 anos), pois a maioria dos mais jovens, não teve aula de música como componente curricular na escola e também não estudou particularmente, por diversas razões. Para essa turma é bem mais difícil o processo de aprendizagem musical, mas não é impossível! Acredito, sem sombra de dúvidas, que quem QUER aprender, consegue. Claro que terá que se aplicar bastante e com certeza, procurar um professor que também acredita nesse potencial (e que não apenas dê aulas por dinheiro$!) e que não meça esforços em ensinar. Cientificamente, já se provou os benefícios da música para o ser humano como um todo. Para nós, cristãos, isso não é novidade, basta lermos a Bíblia!!! Seria muito útil e haveria resultados muito positivos se os professores, de um modo geral, acreditassem, valorizassem e usassem a Música com seus alunos, principalmente professores da Educação Infantil e Evangélica.

 3)    Que tipos de recursos os pais podem utilizar para incentivarem os filhos na música?
Bem, se os pais não tiverem interesse em ver seus filhos envolvidos com a música, nenhuma tecnologia ou mesmo construção de instrumentos caseiros fará sentido ou trará os benefícios almejados. Podem até matricularem os filhos nas melhores escolas de música, ou baixarem os aplicativos de última geração em seus aparelhos eletrônicos, mas se não participarem juntos em todos os processos, pouco irá adiantar. A criança está aprendendo constantemente e depende dos adultos para guiá-la, então, tem que haver interação, por mais simples que seja. Faça um chocalho todo estilizado, larga na mão da tua filhinha Rebeca e vira as costas pra ela, e veja o que acontecerá...! NADA. Agora se você fizer o chocalho junto com ela, mostrar que som que ele faz, como pode ser tocado será um aprendizado muito mais eficaz! Por falar em instrumentos, aproveito para dizer que se os pais e/ou professores não acreditarem que todo e qualquer som pode ser transformado em música, estarão, com isso, dificultando a iniciação musical das crianças! Serão os primeiros a tirarem os instrumentos das mãos dos pequenos, e talvez, até irritados, digam: “Me dá isso aqui porque você não sabe tocar!”. Devemos sempre incentivar e não repreender uma criança quando ela se interessa pelos sons. Isso já é música!!! O principal recurso que os pais devem utilizar é a presença participativa, engajada e o estímulo, se não o exemplo!


Depois dessa conversa (que eu espero continuar), separei todos os cds infantis que tenho de novo e vez ou outra a Bequinha escolhe algum pra ouvir. Mas continuamos ouvindo de tudo um pouco! O que importa é o input, o compartilhar e aproveitar a música juntos, louvando ao Deus Criador para sempre!


Só lamento uma coisa: minha filha ter uma avó professora top de música e não poder ter o privilégio de aprender com ela, e nem de poder participar dos projetos musicais mega lindos que ela desenvolve com as crianças na igreja, por a gente estar morando há mais de 5.000 km de distância.  Mesmo assim, "louvamos ao SENHOR, porque ELE é bom; porque a sua benignidade dura para sempre" (Salmo 136:1), e porque a "sua fidelidade dura de geração em geração" (Salmo 119:90). Amém!!!

25/09/2015

A Menina dos Olhos

Depois de nove meses esperando sua dádiva, Lucia foi ao hospital num tranquilo anoitecer de Setembro. Aquela noite teria sido dolorosamente longa e sofrida, não fosse o fruto que aquela experiência especial daria para ela e sua família. O marido de Lucia nunca tinha ficado sozinho com a filha mais velha deles, Laura, de 1 ano e 8 meses, até aquele dia.

Quando o marido levou Lucia ao hospital, Laura ficou com seus avós. Ela brincou bastante no jardim e se divertiu construindo "castelos" com os gravetos das árvores que caiam no chão.  Laura estava quase dormindo confortavelmente no colo de sua avó quando seu pai retornou mais tarde naquela noite trazendo a boa notícia: ela havia ganhado uma irmã!

No dia seguinte, Lucia estava esperando por seu marido e sua filha em um simples quarto do hospital, ao lado de sua amada bebezinha. O quarto tinha uma cama, onde Lucia estava deitada, uma televisão desligada, uma grande e limpa janela, e também tinha um berço alto, onde Dóris, a recém nascida, estava dormindo.

Eram 7 horas da manhã quando Lucia espiou pelo corredor e avistou seus queridos chegando. Seu marido estava com um largo sorriso, e Laura estava um pouco séria, espiando as  portas pelas quais passavam, procurando sua irmã. Quando ela viu sua mãe, correu até ela. Lucia, feliz, não parava de gargalhar porque Laura estava vestida com o pijama e seu chinelo de dedo cor de rosa! Aquela havia sido a primeira vez que o papai cuidara de sua pequena Laura sem a presença de sua esposa. Ele nem percebeu que teria sido melhor se Laura tivesse trocado de roupa! De qualquer forma, finalmente, pai, mãe e irmãs estavam juntos naquele momento familiar. Os pais estavam esperando para saber qual seria a primeira reação de Laura para com Dóris.

Laura, de imediato, não enxergou Dóris. Primeiro, ela perguntou para Lucia se a bebê ainda estava dentro de sua barriga. Lucia explicou, apontando para o berço, que a bebê já estava fora dela, que Dóris tinha nascido e que ela poderia ir ver a irmãzinha. Laura se aproximou do berço, subiu o primeiro, o segundo e o terceiro degrau da pequena escada que ali estava e alcançou o topo. Quando contemplou sua irmã, Laura imediatamente exclamou, para alívio de seus pais: "Uau! Que bebê bonito!", e, para admirá-la melhor, apoiou seus cotovelos na barriga de Dóris.

Instantaneamente, Dóris começou a chorar e Laura, assustada com o choro, começou a chorar também. Aquela foi a primeira vez em sua vida que Lucia ficou em dúvida sobre qual menininha de seus olhos consolar primeiro.  


História pessoal baseada em fatos reais. Em alguns meses, estarei vivendo a mesma dúvida que minha mãe Lucia teve há exatos 25 anos atrás!

29/07/2015

Posso ser uma missionariazinha? Pode, sim, Bebé! (Relato de viagem)


Oi pessoal, vim aqui contar pra vocês como foi participar junto com a minha mãe de uma viagem missionária. Eu sempre achei legal a música do missionariozinho, e a do meu barco é pequeno (embora dance mais na do "cacão"), mas nunca pensei que tão cedo eu iria ter a oportunidade de "pregar aos outros novas salutares", e ainda mais indo de barco! Tenho quase 2 anos de idade, e na época da viagem - de 23 a 29 de maio de 2015 - eu estava com 1 ano e 9 meses.

Equipe e tripulação. (Foto do titio Odair Massao)

A equipe de voluntários que compôs a viagem à Comunidade Ribeirinha São Jorge (Caapiranga/AM), precisava de alguém para evangelizar os adolescentes, e aí minha mamãe foi convidada pra integrar a equipe. Eu, que estou sempre junto com ela, também fui bem-vinda - depois da certeza de Jesus, da liberação do papai, do apoio das titias missionárias da base Manaus de Asas de Socorro, e da plena paz e certeza de Deus no coração da minha mãe, que ainda não tinha  navegado por águas amazônicas, e que me levou na fé pra passar uma semana morando em um barco, em uma comunidade distante de casa!

Foi uma longa viagem de Manaus até à Comunidade São Jorge: quase 300 km rio Solimões acima, percorridos em quase um dia inteirinho de viagem. Saímos de Manaus de tardezinha, e daí como eu já tinha tirado a minha soneca da tarde antes de embarcarmos, fiquei bem acordada no início da nossa viagem. Até dei uma chorada quando teve a primeira reunião com a equipe, a tripulação e o comandante do barco - estranhei aquele monte de gente e o movimento do barco, mas nada que um mamá e o colo da mamãe não resolvessem. Logo em seguida comecei a conhecer o pessoal e a desvendar os cantos do barco, aí a viagem toda passou rapidinho pra mim!

Eu poderia falar do papá super bom que a gente comeu todos os dias, no café, no almoço e na janta, ou de como eu me comportei no quarto improvisado, dormindo junto com mais outras duas titias voluntárias, na farmácia do barco, dividindo um colchão com a mamãe (porque o restante do pessoal dormiu no redário); como a gente suava de dia no calorão, e à noite dormia com edredom por causa do ar condicionado (sim, no barco tinha ar pra nós à noite); poderia contar como foi tomar banho frio todos os dias ou ficar nanando todas as tardes sob a guarda do comandante, que virou meu escudeiro e acabou virando meu "vovô", enquanto a mamãe ministrava aos adolescentes; poderia contar que teve um dia que a gente tomou banho no rio e que teve dois que a gente foi - de barco - até uma igreja na comunidade vizinha, em que os irmãos e irmãs chegavam em seus barquinhos pro culto; poderia contar como foi ficar sem falar ou mandar qualquer sinal de vida para o papai durante a semana inteirinha, porque lá não pegava o sinal do celular da mamãe; mas eu não vou falar muito disso porque isso tudo foi muito legal, mas não o mais importante.


Lá na comunidade, durante as atividades na parte da manhã, a mamãe trabalhou também com as crianças e aí eu ia sempre junto, porque eu estou acostumada a acordar cedo. Por acordar cedo também foi que eu não perdi nenhum devocional da manhã, antes do café (do qual eu participava já tomando meu "sesau" (nescau)). Então, na escola eu conheci muitos "nunús" (meninos) e "nininhas" (meninas) que ficaram logo meus amigos. Algumas vezes eu ajudei a mamãe nas músicas que ela ensinou pras crianças e na hora do recreio muitos me faziam carinho e brincavam comigo. O Elias, o Robinho, o Matheus, o Davi, a Roseana, a Dionara, a Paula, e mais um monte de gente ficou minha amiga. No trajeto do barco até a escola, que demorava uns 10 minutos à pé, eu sempre escutava alguém chamando "ôoo Rebequinha!", e aí eu saía distribuindo meus "legal" com o polegar pra todo mundo!


Eu ainda não frequento nenhum ambiente escolar, então algumas vezes, durante as manhãs junto com a mamãe, eu fiquei incomodada de ficar ali "paradinha", dentro da sala. Aí ou a mamãe dava uma voltinha comigo na rua, ou, como na maioria das vezes, algum outro voluntário ou ribeirinho mesmo brincava comigo pra me distrair, enquanto a mamãe ficava na sala de aulaauxiliando nas atividades. Teve uma atividade que foi no pátio daí eu participei junto, era de correr, e foi muito legal e suarento!!!

Titio "Seséssi" (Jefferson) tocando "lhão"!

Roseana em suas atividades domésticas
A "xixia" (titia) Rute, atual líder da base Manaus de Asas de Socorro, e líder dessa missão da qual participei com a mamãe, falou uma coisa que pra minha mamãe e pra mim, de certa forma, guiou nossa postura durante toda a missão: "lembrem-se sempre de uma palavra: relacionamento!", dizendo que poderíamos registrar nossa presença na comunidade através de fotos e filmagens, mas que isso fosse consequência de um relacionamento mínimo com os ribeirinhos de São Jorge. Então, eu queria contar pra vocês também, que no penúltimo dia, a mamãe me levou na casa da adolescente Roseana e sua família, que era vizinha de onde nosso barco estava atracado. Ela, todos os dias após o almoço, e antes de ir pra aula, lavava a louça, e sempre o fazia cantando. Aí a mamãe resolveu ir na casa dela pra filmar ela cantando a música "Raridade". Ela cantou, um pouco tímida, e enquanto ela cantava eu fiquei brincando com os nunús e as nininhas que moram na casa dela também. Eu, que nos intervalos entre os turnos de atividades da equipe, brincava mais com a mamãe ou alguma outra pessoa dentro do barco, achei divertido jogar bolinha com eles, na casa deles. Aí a gente ficou mais amigo ainda e no culto de encerramento que teve antes de irmos embora, a gente cantou, ouviu a mensagem e brincou juntos também!


Em setembro desse ano ainda, se o Senhor permitir, voltaremos à comunidade São Jorge. Vai ser muito legal reencontrar os meus amigos e os alunos da mamãe, andar de barco de novo e servir a Jesus. Independentemente de eu participar de novo ou não de uma viagem missionária, o certo é o que diz o texto bíblico de João 3:16 - "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito para que todo aquele que nEle crer, não pereça, mas tenha a vida eterna". Deus me amou. Deus amou meus papai. Deus amou os ribeirinhos de São Jorge. Deus amou você! Eu, que ainda sou baixinha em estatura, quero, a cada dia, crescer em graça crendo em Jesus e compartilhando as boas novas salutares que Ele tem para todo mundo!


Se você gostou desse relato e quiser saber tudinho o que aconteceu nessa nossa viagem, assista também a esse vídeo aqui, que reúne fotos de todos os nossos momentos na Comunidade. Teve atendimento odontológico e médico também, mas eu não participei dessa parte porque fiquei com a mamãe e outros da equipe nas ações com as crianças e adolescentes. Se você quiser conhecer mais e contribuir com a missão Asas de Socorro curta a página deles no facebook e/ou consulte o site.

Aqui embaixo segue um vídeo que a mamãe editou, com um resumo dessa minha primeira viagem missionária. Um beijo, e até a próxima! Bebé.







10/05/2015

Carta a uma jovem mãe que vai aos cultos com seu bebê

Oi Mana,

decidi escrever essa carta para parabenizá-la pela dedicação e empenho que você tem para com a sua família ao não parar de congregar só porque agora você tem um bebê pequeno. Que bom que a herança que o Senhor confiou a vocês não é tida por você e seu esposo como um empecilho para cultuarem, junto à congregação, ao próprio Senhor que o deu. Sempre que vejo você no meio de tanta gente nos cultos (às vezes lotado!), me alegro porque "você escolheu a vida, e escolheu estar no melhor lugar que você poderia estar com o seu filho". Posso imaginar que às vezes seja trabalhoso estar na reunião com seu pequeno, e que nem sempre você está lá no seu melhor dia, ou com o maior ânimo que possa demonstrar, mas o simples fato de você estar lá, pode ter certeza, é algo muito positivo e exemplar para a família da fé e para o congregar. Mais ainda o é para o seu filho, e é sobre isso, principalmente, que eu quero tratar nesta carta.

Eu lembro que quando você estava grávida, havia toda aquela expectativa ao seu redor. Sempre algum irmão ou irmã vinha cumprimentar você, perguntar como você estava, acariciar sua barriga. Ou alguma das inúmeras crianças, logo que você chegava ou ao final do culto, vinha te abraçar e perguntar sobre o nenê. Todos ao te olharem sorriam pra você, e você se sentia confortável e amada naquela congregação. Você começou a participar com mais frequência das reuniões de mulheres da igreja, e também a orar de todo o coração pelas crianças quando eram chamadas à frente do púlpito para a bênção. Você estava se preparando não só de corpo, mas de espírito também para a chegada do seu bebê e isso foi ótimo, sem dúvidas. Apesar das mudanças que a gravidez acarreta, você estava em paz consigo mesma, em paz com Deus, servindo a Ele de coração e participando das atividades da congregação com alegria, esperando a chegada do seu tão esperado bebezinho.

Não tenho palavras para descrever o quão alegre e faceiro estava o seu marido, e a sua mãe também, quando vocês retornaram à igreja depois que o bebê nasceu, e, principalmente no culto em que apresentaram seu filho à congregação e o consagraram a Deus. Você estava linda como sempre, arrumada, com os cabelos penteados e, apesar de não estar com um daqueles seus vestidos longos, a camisa de abotoar estava certinha no seu corpo pós-parto, e (quase) nem deu pra reparar na sua barriga daquele momento, hehe! Lembro de você estar um pouco receosa sobre como lidar com toda aquela gente querendo ver de pertinho, tocar e se alegrar em conhecer, finalmente, o bebê tão querido. Lembro-me de você tapar o ouvidinho dele com uma fraldinha durante o louvor, e também de sair umas duas ou três vezes durante a mensagem para trocar a fralda ou amamentar, às vezes.

Como passou rápido tudo isso! E que bom que você e seu esposo estão bem e se adaptando a cada fase do pequeno e desenvolvendo com zelo e temor a paternidade de vocês. E que bom também que continuo vendo vocês nos cultos! Sei que agora o bebê já não está mais tão pequeno, que vocês já começaram a introdução alimentar com ele e que ele já ensaia suas primeiras sílabas, querido! Percebi, também, como ele está ligado em tudo o que acontece ao seu redor, e como gosta de mexer as perninhas! Ele continua sendo querido por todos, mas na congregação agora temos outras irmãs grávidas e outros bebês mais novinhos que o seu, e, com isso, ele não é mais o foco das atenções e carinhos dos irmãos e irmãs. Você comentou comigo, domingo passado que, quando ele chorou esperando pelo mamá, no meio da pregação, você percebeu que algumas pessoas sentadas na fileira à frente de vocês, se viraram para trás e olharam rapidamente para ele e para você (e ainda bem no momento em que você estava desabotoando a sua camisa, com a fralda à tiracolo, para dar o peito pro nenê...!). Aqueles olhares deixaram você constrangida e incomodada, mas não a ponto de travar teus objetivos e expectativas em relação ao congregar com a sua família.

Depois daquele dia, vocês perceberam que outras situações e atitudes do seu bebê chamam a atenção dos olhares das pessoas durante a reunião e decidiram, definitivamente, sentar mais ao fundo do salão, para não distraírem tanto os outros irmãos, principalmente durante a mensagem do pastor. Você percebeu que até o seu bebê ficou mais tranquilo por poder se movimentar mais à vontade (mas é claro, não com toda liberdade)?

Querida, não posso deixar de comentar que você demonstra a sua sabedoria nos detalhes em relação aos cuidados com o seu filho!  E isso tudo eu percebo só de observar vocês durante o culto por alguns instantes (eu também presto atenção na pregação da palavra, viu?! mas é que o teu filhinho é tão fofo e vocês, uma família tão bonita, que às vezes me pego admirando-os à distância e me recordo de quando a minha filha tinha a idade do teu!). Meus parabéns por levar os biscoitinhos que ele gosta num potinho com tampa. Assim, além de evitar o barulho chato que o pacote dos biscoitos faz quando a gente abre ele, vi que o teu fofinho ficou alguns minutos entretido com a tampinha do pote. Ele parecia estar se divertindo! Você também trocou os  brinquedinhos que leva pra ele, né?! Ele nem dava mais bola para aquele chocalhinho que ganhou da tia quando nasceu, e nem se distrai mais tanto com aquele ursinho preto e branco que você comprou pra ele. Gosta mesmo é dos zíperes da sua bolsa, ou da caneta na Bíblia do papai. Achei legal você ter alcançado pra ele aquela sua niqueleira velha pra ele brincar de abrir e fechar, e de onde você tirou a ideia de levar uma calculadora pequeninha para ele?! Demais!!! Aqueles botões e a possibilidade de ele ficar apertando, mexendo com a pontinha do indicador deixaram ele silenciosamente distraído por quase quinze minutos na última reunião, não?! Vi que você até tentou abrir a Bíblia no versículo indicado pelo pastor, mas daí com o teu movimento ele se distraiu, né?! O caderninho para rabiscar e os livrinhos interativos - aquele que ele abre e fecha portinhas e janelinhas e o que tem personagens para ele passar a mãozinha -, também foram ótimas sacadas para ele ficar tranquilo durante a reunião e, por isso, você ficar tranquila também. Eu acho tão bonitinho ver o seu bebê quase adormecido no colo do pai, ao fundo do salão quando chega o momento final do culto (quando ele não fica choroso, é claro!). Penso que para você, às vezes, possa ser um alívio o término da reunião, mas agradeço a Deus pelo seu exemplo de, mesmo após ficar um tempão com o filho nos braços, ainda erguer as mãos para louvar a Deus na música final. Vejo você se entregando, quase que literalmente, com todo o seu ser para o Senhor! Que bom que você faz isso, e que seja de coração, pois com isso o Senhor se alegra!

Antes de terminar, queria dizer que eu vi, eu viiii, há alguns cultos atrás, que na hora do louvor, o teu filhinho ensaiou as palminhas!!! Que coisa mais querida! E como ele gosta quando vocês ficam com ele no colo, embalando-o no ritmo do louvor: a gente que fica mais atrás de vocês se delicia com os sorrisinhos dele!!! Dá muito prazer cultuar a Deus num ambiente assim, familiar e tão alegre! E, sabe, amiga, você contribui para isso. Você, seu esposo, e seu filhinho são partes do corpo de Cristo, da família de Jesus, e que falta vocês fazem quando vão viajar ou se o teu filhinho fica doente e impossibilita vocês de participarem do culto naquele dia. Que privilégio você e seu esposo concedem a ele de poder estar na casa do Senhor desde a mais tenra idade, e que bom que ele crescerá vendo com os próprios olhos o testemunho de amor de vocês ao Senhor e a sua Obra, e a reverência que têm para com o momento do culto! Que alegria saber que ele irá crescer junto a outras criancinhas que também estão sendo inculcadas na palavra de Deus desde cedo, e assim poderá desenvolver amizades sadias, benéficas para ele, mas principalmente amizades que glorifiquem a Deus! Logo logo ele terá idade para participar do culto infantil, e aí você viverá outra etapa da maternidade.

Mana, a sua decisão de continuar congregando, mesmo com o seu bebê sendo tão pequeno é digna de louvor. Admiro você, admiro sua família e agradeço a Deus pelo exemplo que você dá. Eu sei que você sabe que Deus não tem netos e que não é por que você e seu esposo tomaram a decisão por Jesus que seu filho irá tomá-la também. A resposta ao chamado de Cristo é pessoal e individual. A vez do seu filho irá chegar, e que bom que ele tem nos próprios pais o exemplo da bênção de tão importante decisão e os caminhos certos de paz que ela apresenta!

Ah, tem um casal de jovens chegando na congregação. Eles ainda são novos na fé. Você viu que a filhinha deles é quase da idade do teu? Vou te apresentar para eles domingo que vem, pode ser? Acho que vai ser muito bom para a mãe ter a sua amizade.

Bom, me despeço desejando a vocês uma ótima semana, na paz de Jesus, que nos ensina todas as coisas (incluindo a maternidade).

Um beijo, Laura.



24/04/2015

Decoração de coração

Quiz com alguns registros do primeiro quartinho da Rebeca. Leia a questão, observe as figuras e escolha apenas uma das alternativas abaixo:

1) Uma bonequinha de pano, sustentando uma biriba, embalando-se parada e sorridente sobre uma plaquinha "cheguei" significa:


(a) um enfeite de porta de maternidade.

(b) uma lembrança da Bipa, direto de Bexiga, ornamentando a entrada do quarto para anunciar que você chegou onde a Beca está.


2. Versos em prosa gringa, estampados preto no branco, adesivados na parede acima do berço:


(a) uma frase bonita.

(b) a estrofe de uma linda canção, compartilhada pelo primo Pedro, num momento da gestação que veio bem a calhar, transformada (e aplicada) graficamente em um adesivo estiloso pela dinda Pam, pra ficar registrado desde o início que, "do primeiro choro ao último suspiro, Jesus comanda nosso destino", e nunca mais ser esquecida.

3. Um par de quadrinhos de animais, similarmente emoldurados - a despeito das diferenças no material artístico das obras - significa:


(a) dois quadros decorativos.

(b) relíquias que foram originariamente ornamentos no quarto da mãe quando bebê, confeccionados e presenteados pelas bisavós quando do nascimento da neta, agora trazendo graça ao quarto da 2ª bisneta de Leda e 10ª bisneta de Adine.

4. Um móbile colorindo o berço significa:


(a) uma distração lúdica.

(b) um mimo muito fofinho, contendo um dos animais preferidos da mamãe, presenteado pelos tios do papai, quando de uma visita especial para conhecerem a sobrinha-neta.

5. Uma árvore na parede significa:


(a) um adesivo decorativo gigante.

(b) uma decoração toda especial, idealizada e projetada pelos papais e executada em parceria com os dindos, a qual possui várias referências intrínsecas e que merecem um post à parte.

Resultado: se você escolheu a opção "B" de Beca Boneca em todas as questões, PARABÉNS, você gabaritou este quiz! 

15/02/2015

Para Clarice: Receita de Dinda

 Massa:
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 2 ovos batidos
  • 2 colheres de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de fermento em pó
  • 2 colheres de margarina

  Recheio:

  • 2 latas de leite condensado
  • Suco de 7 limões
  • Raspas de limão
  • 1/2 pacotinho de gelatina sem sabor dissolvido em banho-maria

  Cobertura:

  • 3 claras batidas em neve
  • 3 colheres de açúcar
  • E raspas de limão a gosto
        Não, flor! Essa não é a receita de dinda. Essa receita aí em cima resulta numa deliciosa torta de limão, com sua massa crocante, um recheio de creme lisinho, encorpado, doce e com um toque azedinho e uma cobertura fofa e adocicada. E de torta de limão a gente aqui em casa entende e gosta muito! Mas a receita que eu quero te passar hoje - a Receita de Dinda-, também tem torta de limão, muita torta de limão. E não é porque hoje foi o teu chá de bebê - e chá combina bem com torta, mas eu prefiro café com doce, tu sabes, coisa de gaúcha alemoa! - que eu resolvi te passar essa receita. É para homenagear a amizade de uma muito amiga minha, dinda da minha filha, e senhora sua mãe!

Essa receita bem poderia ter como prato principal camarão, arroz, e muita conversa. Mas essa eu deixo para a tua mãe te ensinar, ela tem os segredos divertidos desse prato. Eu vou te passar uma que aprendi ao longo de dois anos, provando  diversos ingredientes e descobrindo outros mais. Vamos lá, então!

O primeiro ingrediente da Receita de Dinda é a Presença. Não precisa ser muita, mas não pode ser pouca também. Pode ser espaçada, mas tem que ser constante, mesmo se distante. À presença, adiciona-se Amizade, porque uma presença não amiga estraga a receita. Esse ingrediente tem que ser da marca Pv, na medida de 17:17, sabes onde encontrar, né?!  Misture bem esses dois primeiros ingredientes ao esforço. É, o Esforço é o terceiro ingrediente.  Esse aí não tem medida, nunca muito dele vai ser demais: sem medida acrescenta muito valor aos dois primeiros. Essa mistura é bem Leve pra quem a está preparando e resulta em Louvores para o Criador da receita. A tudo isso, por fim, uma pitada de Alegria, que, no caso da Dinda da minha filha, acho que na hora de colocar esse ingrediente, a tampa do potinho abriu, e caiu bem  mais, o que deixou essa versão da receita muito mais especial, e também, única. Ao final, tem uma foto que mostra algumas etapas da preparação.

Espero que você seja boa na cozinha e que goste de inventar. É importante para uma menina aprender a arte do bem cozinhar, do bem servir,  do bem se comportar, mas principalmente a do bem temer (e para isso, você encontra a receita em Pv 31). Espero um dia, daqui alguns anos, poder compartilhar muitas tortas com você, de novo com a tua mãe, e junto com a minha filha. Tu e ela já estarão grandes, e aí, eu oro e torço, para que vocês desenvolvam juntas, no convívio e no serviço ao Criador, muitas novas deliciosas receitas. Eu e tua mãe fizemos (e fazemos)  isso. Os créditos todos pro Cozinheiro Chefe e Criador de tudo, tá?! Criador das receitas, dos ingredientes, Chefe das misturas, dos tempos de preparo, das massas e também das cozinheiras.



Anotou tudinho, flor?!
Um beijo pra ti. Amo você.


12/02/2015

Para Benjamim: a história de quando doulei tua mãe

Eu queria te contar como foi que você nasceu. Mas isso quem pode te contar direitinho são os teus pais, que tem uma sólida história de testemunho do amor e da fidelidade de Deus, atestada bem antes do dia do teu nascimento. Aquele lindo Salmo 139, no verso 16 diz que "cada um dos nossos dias foram escritos no livro de Deus, cada um deles escrito e determinado, quando nenhum deles havia ainda". Então eu acho que no dia 11 de agosto de 2014 uma nova página no capítulo da história de Deus sobre a tua vida, e a vida da tua família, começava a ser escrita aqui na terra.
Voltando ao início dessa história, como eu não sou a melhor pessoa pra te contar como você nasceu, vou te contar a minha versão de como a tua mãe nasceu (e o teu pai junto também, eles são um só, busca entender isso o quanto antes também,  viu?! É um princípio divino pra gente viver). Pra te contar como a tua mãe nasceu - não do jeito que você está imaginando, porque isso quem pode te contar melhor é a Vó Dô... -, eu tenho que te contar o que aconteceu para que eu pudesse te contar tudo isso. Não é qualquer pessoa que pode fazer isso, aliás são poucas, então, vou começar pelo começo:
Conheci tua mãe ainda grávida de ti, quando tu estavas bem pequenininho. Tu devias estar com uns 3 ou 4 meses, e ela nem sabia ainda que tu era tu. Foi no final de um culto de jovens, em que ela veio me fazendo umas perguntas engraçadas de dúvidas sinceras sobre gestação, que eu contei pra ela essa história aqui, e disse pra ela lê-la. Não sei o que se passava na cabeça dela àquela altura, mas depois daquele dia ela me pediu mais uns links com algumas rotas para se chegar à terra da Partolândia, e nós começamos a conversar com mais afinco sobre isso. Pronto, tua mãe já estava fecundada com as ideias. Teus pais e minha família se tornaram mais amigos, mais próximos, no decorrer do primeiro semestre de 2014 - do qual teria vários momentos junto com a tua mãe para te contar, mas deixa pra quanto tu tiver maior, te conto pessoalmente! - ao ponto de, na manhã do dia em que tu nasceu, eles me acordarem com as seguintes mensagens via whatsapp (o meio de comunicação mais em voga àquela época, utilizado no mundo inteiro por todos que possuiam um smartphone, ou seja, todo o mundo - registro isso porque, quando eu nasci, nem existia telefonia móvel!):
[3h47 11/08/2014] Diego dé: Amiga acho q é hj... rs
[3h49 11/08/2014] Diego dé: To com contração desde 1h.. mas bem espaçadas ainda.. de 10 em 10.. 8 em 8.. pode ser alarme falso! Mas só pra ficar espertaa
[3h49 11/08/2014] Diego dé: To sem crédito
[3h50 11/08/2014] Diego dé: Bj
[3h50 11/08/2014] Diego dé: já falei com a Patrícia
[6h21 11/08/2014] Diego dé: Ola laura a de ta tendo contrações
[6h21 11/08/2014] Diego dé: E ja liguei p patrícia
[6h21 11/08/2014] Diego dé: Ela eata a caminho
[6h21 11/08/2014] Diego dé: Esta
[6h21 11/08/2014] Diego dé: Qnd vc ver a.msg tomar cafe ai e se arrumar e luder vir
[6h21 11/08/2014] Diego dé: Puder
[6h21 11/08/2014] Diego dé: Valeu
[6h31 11/08/2014] Laura: to indi
[6h32 11/08/2014] Laura: indo
Quando eu acordei e fui ver a hora, e vi essas mensagens eu pulei da cama de felicidade. "É hooojeeee, o Ben tá vindo!!! Ai que liiindo!!!" - eu pensei. Eu morava a duas quadras do apartamento de vocês. O que facilitou para que eu pudesse ir literalmente correndo. O Felipe estava de folga e pode ficar com a Rebeca durante a manhã. Eu pensava que à hora do almoço eu já estaria de volta. Mas não estive, e a queridíssima mega parceira dinda da Rebeca, Pâmella, ficou a tarde toda e o começo da noite com a Beca, vivendo UP, altas aventuras hehe, enquanto a gente te esperava vir. Sem pressa, você chegou devagarinho. Meu dia começou com uma mensagem e terminou com muita ocitocina. Nesse meio tempo de quase um dia inteiro, doulei a minha amiga e tua mãe, Débora.


Lá naquele dia em que eu primeiro contei sobre o parto da Rebeca pra ela, eu pensei que tua mãe ia achar coisa de doida parir em casa, afinal ela tinha uma cara tão meiguinha, tão doce, uma voz delicada, que eu não acreditei que ela teria tanta força como alguns meses mais tarde eu descobriria que tinha. E que força. E que meiga, e que doce parturiente. Serenidade define. Quem te pariu foi ela, mas eu tive o baita privilégio de estar junto com ela para apoiá-la e servi-la nos momentos que antecederam ao teu nascimento.


Fiz massagem, carinho, lanche. Servi mel, chocolate, água. Abanei, abracei, puxei e empurrei. Corri, subi e desci. Filmei, fotografei, e anotei. Conversei, sorri e orei. Pensei, duvidei e clamei. Abracei, sussurrei, apoiei. E quando o cansaço disse "oi" pra todo mundo, já era a hora da viração do dia e de todo aquele trabalho. Já no quarto, deitada de lado na cama a tua mãe exausta, disse que queria que tudo acabasse logo para que pudesse descansar. E você ali, na iminência de coroar todo aquele dia e pra sempre a vida dos teus pais. Segurei, agarrei e não mais soltei a mão da tua mãe. Eu não ia mais soltar de jeito nenhum. Estava disposta a virar a noite ao lado dela se preciso fosse. Tínhamos chegado até ali. E dali não sairíamos sem você do seu jeito, na sua hora. E logo em seguida você chegou. E sua mãe nasceu. O exato momento desses nascimentos são tão nítidos e vivos na minha mente que eu não consigo descrevê-los. Palavras não comportam a grandiosa força da tua mãe naquele momento. Simplesmente lindo!

Há 6 meses atrás, tudo isso aconteceu!
Me alegro em Deus por ter feito aquele dia e determinado que eu participasse dele. E, com o teu nascimento, pude atestar, mais uma vez que Ele faz tudo formoso no seu devido tempo!



Tu és um abençoado, Benjoca, não tenho dúvidas! A dinda te ama muito e ora para que você tenha uma vida longa sobre a terra. Que você continue crescendo em estatura e graça diante de Deus e dos homens, e que você viva tudo o que o Senhor Deus planejou para você. Amo vocês, DéDiBen!

19/01/2015

Chegadas e Partidas


[Dia 03 de dezembro de 2014, nosso último dia em Taubaté, antes de irmos para Manaus]

Eu amo esse registro. Fomos fotografadas no lugar onde nos conhecemos pela primeira vez, na última vez em que ali estivemos. Em ambas as ocasiões, lágrimas e sorrisos, oração e júbilo. Sensação de dever cumprido, tempo que passa, mudança que chega. Quando eu era criança, toda a vez que passávamos em frente ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre me falavam: foi aqui que tu nasceu...! E eu admirava aquele prédio enorme, imaginando em qual daquelas centenas de janelinhas teria eu sido parida. Com a Rebeca o papo vai ser outro: foi no terceiro andar de um prédio verdinho simples, sem elevador, no apartamento 32, no quarto maior, com a meia janela cerrada, com muito amor, carinho e respeito que você nasceu! É bem como diz o ditado: there's no place like home!