23/10/2015

Lalalá de bebê, música de adulto e o que a vovó tem a ver com isso?

Desde que a Rebeca era bebê eu  preferia colocar cds de música para ela ouvir do que ligar a televisão para ela se entreter. Foi mais de um ano priorizando estimular os ouvidinhos dela do que os olhinhos. Além dos cds que eu tinha que eram os que eu ouvia na minha infância (tipo Louvores da Garotada com a turma do Salty) eu comprei outros dois pensando na Rebeca e nos meus alunos da escola bíblica dominical (mãe estagiando com os alunos, e professora estagiando com a filha!): Jesus Cuida do Bebê e Deus Ama, da Editora Cristã Evangélica. Viraram hit aqui em casa, não tanto porque a Rebeca bebê esboçasse qualquer admiração ou entusiasmo por eles, mas porque eu, a mãe, gostava de ouvir aquelas bem compostas musiquinhas!

A Rebeca foi crescendo, e as fases no desenvolvimento dela foram se complexificando. O mamá de antes de dormir já não era o sonífero instantâneo de outrora, e assim fomos nos adaptando. Teve uma fase em que ela pegava no sono de tarde ao embalo de bossa nova. Eu com ela dançando, girando e dê-le bossa. Era tiro e queda. Coisa mais engraçada (eu "dançando")! Depois, às noites, já na caminha dela, cantávamos músicas tipo essa pra ela dormir e ela...dormia!!! Mas aí ela meio que aprendeu a cantarolar junto ou se acostumou com as nossas vozes, e a cantoria paterna já não fazia mais tanto efeito para dormir - para divertir e cantar por cantar, sim. Aí apelamos para o tablet e como o som que nós, pais, estávamos curtindo naquele momento era esse aqui, resolvemos colocar para ela dormir ouvindo-o também. Essa, Oceans, na versão acústica foi top hit parade por meses aqui em casa, a ponto da guria aprender a solfejar em rebequês o refrão, e nos 9min50 de duração dessa versão pegar bonitinha no sono!

Mas aí, meio que me dei conta de que eu tinha parado de colocar os cds infantis pra ela ouvir e tava só com os arranjos e composições mega complexos da tradicional gravadora juvenil evangélica australiana. Apelei então para a ex-universitária de música mais querida e amada que eu conheço - professora de teoria musical e piano para adultos e crianças em Porto Alegre/RS, regente de corais, graduada em Música, e que também é avó da minha filha, a que testa os brinquedos musicais nas lojas antes de comprar para ver se são afinados haha, minha sogra única e favorita - e mandei uns whatsapp pra ela perguntando se tinha essa coisa de música de criança mesmo, ou se é tudo a mesma coisa, dentre outras questões musicais. A conversa rendeu, e como a Tânia é profissional da área, com muito conhecimento de causa, e é uma entusiasta do ensino e apreciação de música, ela deixou eu compartilhar nossa conversa aqui:

Laura, essas respostas para as tuas três perguntas, que na real foram, vamos dizer, umas 5 ou 6, são do meu ponto de vista pessoal, fruto da minha prática como mãe, e professora de música, certo? A seguir, apenas comento o que percebo e sinto!
    1)  Existe música de bebê e música de adulto? Existe essa diferença? Devemos fazer essa diferenciação?
Da mesma maneira que existe roupas e alimentos próprios para bebês e para adultos, acredito que ocorre o mesmo na música. A música é uma linguagem e como tal deve ser aplicada na vida das crianças de acordo com suas peculiaridades e desenvolvimento físico, intelectual, social, emocional e espiritual. Todo o ser da criança está sendo preparado para a vida adulta, que não para de aprender, não é mesmo?  Respeitar, musicalmente, o processo de aprendizagem das crianças significa ir, aos poucos, introduzindo novos elementos musicais que serão para sempre memorizados em seu cérebro, para toda a vida delas. Claro que a criança pode escutar músicas de todos os tipos e estilos. Isso a ajudará em suas escolhas, principalmente se ela for voltada, tiver uma inclinação, para a área musical. Não gosto da ideia de trabalhar musicalização com crianças deixando de lado as canções infantis, que quem compôs pensou em quem?! Nas crianças!!! Sinto também que essa prática musical de trabalhar canções infantis com as crianças nas igrejas está sendo pouco valorizada e estimulada, infelizmente. Atualmente eu faço um trabalho de educação musical com um grupo de 30 crianças na igreja na qual sou membro. Mas ao conversar com algumas professoras de escolas bíblicas sobre música evangélica para crianças e sua aplicação nas aulas, a maior dificuldade que eu percebo é que as próprias professoras não sabem cantar, e também não usam os recursos tecnológicos disponíveis, dentre outros fatores. Algo que também me surpreende é perceber que a maioria das pessoas que trabalham/servem com as crianças nas igrejas, entende que como as crianças já participaram do louvor congregacional que geralmente acontece no início dos cultos, elas já cantaram e, por isso, não precisariam de um momento de louvor e cânticos em sua própria linguagem infantil. Então, para mim existe sim diferença e eu faço questão de diferenciar música de/para bebê e de/para adulto.

 2)    Qual a importância de ouvir música desde cedo na infância? Qual influência isso vai ter para o presente, para o futuro e para formação geral e musical de uma criança?
Se eu pudesse medir o tamanho ou o grau dessa importância acho que não conseguira fazer por números, de tão grande que seria o resultado! Vejo isso na minha vida e na vida dos meus “filhinhos” (os três hoje tem mais de 20 anos!). Na minha família nós tivemos contato musical desde dentro do ventre da mamãe. Posso dizer que nascemos "musicalizados", tanto por influência de casa como da igreja.  Meu pai tocava trompete e cantava no coral, minha mãe também cantava no coral. Desde pequena, eu sempre participei dos ensaios! Tive o começo da minha formação técnica musical na igreja. Na Escola Bíblica Dominical, os adultos cantavam as canções infantis junto com as crianças e depois quando íamos para nossas classes, também cantávamos com a professora. Será que isso não contribuiu para fazer o que faço hoje?! Com absoluta certeza, sim!! Também vejo o oposto, quando ensaio o coral adulto. Digo sem errar que 90% das pessoas que ingressam no coral não praticam nenhum tipo de atividade musical e se praticaram alguma vez na vida foi lá nos tempos passados da infância em que tiveram aula de música na escola (isso considerando adultos na faixa etária dos 30 a 50 anos), pois a maioria dos mais jovens, não teve aula de música como componente curricular na escola e também não estudou particularmente, por diversas razões. Para essa turma é bem mais difícil o processo de aprendizagem musical, mas não é impossível! Acredito, sem sombra de dúvidas, que quem QUER aprender, consegue. Claro que terá que se aplicar bastante e com certeza, procurar um professor que também acredita nesse potencial (e que não apenas dê aulas por dinheiro$!) e que não meça esforços em ensinar. Cientificamente, já se provou os benefícios da música para o ser humano como um todo. Para nós, cristãos, isso não é novidade, basta lermos a Bíblia!!! Seria muito útil e haveria resultados muito positivos se os professores, de um modo geral, acreditassem, valorizassem e usassem a Música com seus alunos, principalmente professores da Educação Infantil e Evangélica.

 3)    Que tipos de recursos os pais podem utilizar para incentivarem os filhos na música?
Bem, se os pais não tiverem interesse em ver seus filhos envolvidos com a música, nenhuma tecnologia ou mesmo construção de instrumentos caseiros fará sentido ou trará os benefícios almejados. Podem até matricularem os filhos nas melhores escolas de música, ou baixarem os aplicativos de última geração em seus aparelhos eletrônicos, mas se não participarem juntos em todos os processos, pouco irá adiantar. A criança está aprendendo constantemente e depende dos adultos para guiá-la, então, tem que haver interação, por mais simples que seja. Faça um chocalho todo estilizado, larga na mão da tua filhinha Rebeca e vira as costas pra ela, e veja o que acontecerá...! NADA. Agora se você fizer o chocalho junto com ela, mostrar que som que ele faz, como pode ser tocado será um aprendizado muito mais eficaz! Por falar em instrumentos, aproveito para dizer que se os pais e/ou professores não acreditarem que todo e qualquer som pode ser transformado em música, estarão, com isso, dificultando a iniciação musical das crianças! Serão os primeiros a tirarem os instrumentos das mãos dos pequenos, e talvez, até irritados, digam: “Me dá isso aqui porque você não sabe tocar!”. Devemos sempre incentivar e não repreender uma criança quando ela se interessa pelos sons. Isso já é música!!! O principal recurso que os pais devem utilizar é a presença participativa, engajada e o estímulo, se não o exemplo!


Depois dessa conversa (que eu espero continuar), separei todos os cds infantis que tenho de novo e vez ou outra a Bequinha escolhe algum pra ouvir. Mas continuamos ouvindo de tudo um pouco! O que importa é o input, o compartilhar e aproveitar a música juntos, louvando ao Deus Criador para sempre!


Só lamento uma coisa: minha filha ter uma avó professora top de música e não poder ter o privilégio de aprender com ela, e nem de poder participar dos projetos musicais mega lindos que ela desenvolve com as crianças na igreja, por a gente estar morando há mais de 5.000 km de distância.  Mesmo assim, "louvamos ao SENHOR, porque ELE é bom; porque a sua benignidade dura para sempre" (Salmo 136:1), e porque a "sua fidelidade dura de geração em geração" (Salmo 119:90). Amém!!!

Um comentário:

  1. Amei Laura!! QUero que os meus filhos sejam musicalizados desde o ventre tbm!! Assim como eu fui!!! é muito bom!!! :)

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